Dois investigadores da Universidade de Aveiro (UA) fizeram uma descoberta na área da nanotecnologia que pode "abrir uma nova era na utilização de materiais piezoeléctricos em aplicações médicas e biológicas", revelou hoje fonte da UA.
Os investigadores Andrei Kholkine (Laboratório Associado CICECO) e Igor Bdikin (Centro de Tecnologia mecânica e Automação), com a colaboração da Universidade de Telavive (Israel), descobriram uma nova propriedade funcional na área da piezoelectricidade em nanotubos de peptídeo auto-organizados.
A piezoeletricidade é a capacidade de alguns cristais gerarem corrente elétrica por resposta a uma pressão mecânica. A nanotecnologia, por outro lado, está associada a diversas áreas (como a medicina, eletrónica, ciência da computação, física, química, biologia e engenharia dos materiais) de pesquisa e produção na escala nano (escala atómica, extremamente reduzida).
O princípio básico da nanotecnologia é a construção de estruturas e novos materiais a partir dos átomos.
Neste contexto, os nanotubos são constituídos por blocos de construção biológica - aminoácidos - tendo assim uma intrínseca biocompatibilidade com o corpo humano e outras propriedades únicas, como a rigidez e a capacidade de atrair outras biomoléculas.
Estes pequenos tubos, com um tamanho entre 50 e 500 nm, foram descobertos pela primeira vez a partir de um reconhecimento da proteína amilóide beta, a proteína da doença de Alzheimer.
Os resultados desta descoberta de Andrei Kholkine e Igor Bdikin, que podem ser lidos num artigo publicado recentemente na revista de nanotecnologia ACS Nano (http://pubs.acs.org/doi/abs/10.1021/nn901327v), "podem abrir uma nova era na utilização de materiais piezoeléctricos em aplicações médicas e biológicas", garantem os investigadores.
"O seu excelente atuador e as habilidades do sensor descoberto permitem significativos avanços em transdutores de nanoescala para imagens acústicas, nanomedicina (por exemplo, em terapias de foro ósseo), biosensores, libertação de fármacos no corpo humano, entre muitas outras aplicações", explicam os investigadores.
Andrei Kholkine e Igor Bdikin garantem que algumas empresas já mostraram interesse na aplicação do forte efeito piezoeléctrico descoberto em nanotubos peptídeos e outros biopiezoeléctricos.
Segundo explica uma nota do serviço de relações externas da UA, os investigadores examinaram a atividade piezoeléctrica dos nanotubos a partir de um novo método desenvolvido no laboratório de microscopia da sonda de varrimento no Laboratório Associado CICECO (liderado pelo investigador coordenador Andrei Kholkine).
"Inesperadamente foram encontradas altas propriedades piezoeléctricas - a capacidade que alguns materiais apresentam de gerar corrente eléctrica a partir de uma pressão mecânica - nestes nanotubos que são comparáveis com os melhores actuadores piezoeléctricos, no entanto, sem conter qualquer metal pesado e, mais importante, plenamente compatível com o corpo humano", explica a mesma nota.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.




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