Em Fevereiro

Mau tempo congela retoma na maiores economias do mundo

Publicado em 24 de Fevereiro de 2010   
Indicadores de confiança caem em Fevereiro e eliminam expectativas de retoma rápida. Zona euro deverá estagnar no primeiro trimestre
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Os indicadores de confiança dos empresários e consumidores das maiores economias da zona euro e dos Estados Unidos caíram em toda a linha em Fevereiro, mostram os dados publicados ao longo do dia de ontem. Estas quebras contagiaram as bolsas mundiais, que fecharam a cair, e alimentaram os receios dos economistas sobre a paralisação prematura da retoma destas economias, para onde a pequena economia aberta portuguesa vende mais de 75% das suas exportações.

"A recuperação na zona euro parece estar empatada", afirmou ontem o governador do banco de Inglaterra, Mervyn King, que sublinhou o efeito sobre as exportações e a retoma britânica.

Na Alemanha, o índice de confiança dos empresários em Fevereiro - o Ifo, um dos números seguidos mais de perto na maior economia da zona euro - saiu pior do que o esperado, registando a primeira quebra desde Março de 2009. "O primeiro trimestre vai ser duramente prejudicado pelo [mau] tempo e a actividade económica pode até cair", explicou ontem Klaus Abberger, economista do instituto Ifo, em Munique.

As temperaturas negativas que continuam a assolar a Europa levaram também à queda do indicador de confiança dos consumidores em França, a segunda maior economia do euro, ao ritmo mais rápido dos últimos dois anos. Também em Itália, a terceira economia da moeda única, a confiança dos consumidores caiu para o valor mais baixo desde Julho do ano passado.

"Foi um dia decepcionante em termos de dados para a zona euro que, no mínimo, deu provas que a retoma na zona euro se está a revelar um processo sem vitalidade", comentou numa nota escrita Eoin O'Callaghan, economista do BNP Paribas.

O efeito do mau tempo será temporário, mas para os economistas o principal sinal dado por estes indicadores está no comportamento do consumo privado na zona euro em 2010, que deverá ter um crescimento muito modesto. A subida do desemprego e os planos dos governos para cortar nos défices orçamentais são factores que estão a minar a confiança das famílias. Sem a expansão do consumo, e com as empresas ainda sem confiança para investir, sobe a pressão sobre os governos da zona euro, para que não abandonem os estímulos à economia. Em Portugal o governo socialista prevê uma retirada gradual este ano, com o recuo total em 2011 (ver página ao lado).

Pior do outro lado do Atlântico Na maior economia do mundo, os Estados Unidos, as notícias foram piores. A confiança dos consumidores afundou de forma inesperada para um mínimo de dez meses, minada também pelos problemas no mercado de trabalho e pelo clima político de divisão no Congresso, visto como um entrave ao relançamento da economia.

"Se está à procura de sinais de gastos para consumo e de criação de emprego não há notícias positivas", apontou ontem à Reuters o economista Tom Porcelli, da RBC Capital. "Isto é um lembrete de que vamos ter uma retoma muito dura".

O impacto das notícias sobre a economia levou ontem a quebras em todas as bolsas, de Wall Street à Europa, passando pela praça portuguesa, que caiu 1,5%.


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