Política

As escolhas de Marcelo: TVI só depois do congresso do PSD

por Paulo Pinto Mascarenhas e Adriano Nobre, Publicado em 24 de Fevereiro de 2010   
Rebelo de Sousa tem acordo com a TVI, mas não assina antes do congresso do PSD
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Marcelo Rebelo de Sousa não vai assinar pela TVI antes do congresso do PSD, apesar de ter já um acordo verbal estabelecido com a estação. O prazo limite para assinar com a televisão de Queluz é no final de Março. O comentador político despede-se no domingo da RTP com a emissão do último programa "As Escolhas de Marcelo", tal como o i tinha anunciado no passado dia 10.

O professor de Direito, que foi presidente do PSD, continua ainda em grande actividade interna e espera um sinal de unidade do partido que o obrigue a avançar para a liderança até ao congresso de 13 e 14 de Março.

"A situação está à medida do professor Marcelo", reconhece fonte da candidatura de José Pedro Aguiar-Branco. "É um cenário que reforça o mito e que Marcelo Rebelo de Sousa nunca desdenhou", responde um apoiante de Paulo Rangel.

Oficialmente, nenhum dos candidatos aceita sequer comentar a hipótese de desistência a favor do ex-líder. Está fora de "cogitação". Porém, fontes do PSD contactadas pelo i não deixam de acrescentar que esta seria uma "saída airosa para evitar um crescendo do confronto entre os dois candidatos". Em nome da unidade, Marcelo poderia conciliar os amigos desavindos: Paulo Rangel e Aguiar-Branco.

Pedro Passos Coelho garante ao i que se irá manter como candidato até ao fim e nem pondera desistir. Quando ganhou o partido em 1996, Marcelo Rebelo de Sousa convidou-o para vice-presidente do PSD e Passos não aceitou, não constando das listas apesar de ter escrito parte da moção. Um cenário idêntico não se coloca agora: Passos Coelho não quer comentar possíveis convites de candidaturas que podem não existir.

Os três principais candidatos a líder do PSD sabem que Marcelo é um adversário temível. A última sondagem da Aximage, de sábado, dava a vitória a Passos Coelho (41,9%), logo seguido de Paulo Rangel (37,1%). Aguiar-Branco, que tinha apresentado a candidatura um dia antes de a sondagem ser publicada, tinha 12% das preferências. Porém, a sondagem também indicava que, se Marcelo resolver avançar, vencerá sem dificuldade qualquer um dos actuais candidatos com o voto de 46,7% dos inquiridos.

O comentador já tem a agenda definida para as semanas que se seguem à saída da RTP: cumpre um período sabático do comentário televisivo. A regressar é na TVI, provavelmente em Abril, para estrear um novo espaço de comentário na estação que abandonou em 2004.

Segundo as informações recolhidas pelo i, o acordo com os responsáveis da estação de Queluz já está apalavrado. O director de informação da TVI, Júlio Magalhães, recusa confirmar a existência desse acordo. Mas o i sabe que os contactos estabelecidos nas últimas semanas deram origem a um compromisso: se Marcelo Rebelo de Sousa decidisse não aceitar a renovação do contrato com a RTP por mais um ano - como foi o caso -, só na TVI regressaria ao comentário televisivo .

A confirmação oficial dessa decisão ficou dependente de um detalhe: Marcelo quer seguir todas as movimentações em torno do congresso social-democrata e das eleições directas que definirão o próximo líder do PSD, a 26 do mesmo mês. E embora já tenha afastado publicamente a vontade de se apresentar como candidato à presidência do partido, a eterna possibilidade de "Cristo voltar a descer à terra" força as precauções. Ou seja, a assinatura formal de contrato entre Marcelo e a TVI só deverá ocorrer depois de definido o futuro imediato do PSD.

O modelo da nova colaboração com a TVI ainda não está totalmente definido. Mas, segundo fonte da estação, uma das hipóteses em cima da mesa passa por retomar o modelo adoptado na anterior passagem pelo canal da Media Capital: um espaço de comentário inserido num dos noticiários nocturnos da TVI. A confirmação do acordo marcará o regresso do comentador a uma casa onde já teve um espaço de comentário político entre 2000 e 2004.

À data, a saída do professor ficou marcada pela polémica em torno das críticas de ministros do governo de Santana Lopes - que questionaram publicamente os comentários de Marcelo contra as opções políticas do então primeiro-ministro. Após a sua saída, o ex-presidente do PSD chegou mesmo a assumir que, durante uma conversa com o então presidente da Media Capital, Miguel Pais do Amaral, este lhe teria sugerido que abandonasse a linha de comentário mais crítica para com o governo: "Saí por uma questão de honestidade intelectual", justificou Marcelo, defendendo "a importância da liberdade de opinião na comunicação social em democracia".

Seis anos depois, a sua saída da RTP também está a ser polémica: a direcção de informação da estação pública decidiu terminar "As Escolhas de Marcelo" após António Vitorino ter demonstrado vontade de suspender a sua colaboração no programa "Notas Soltas". A RTP invocou os critérios de pluralismo político-partidário da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) para suspender o programa de Marcelo. Esta opção gerou críticas de vários quadrantes políticos e deu origem a uma reacção da ERC - garantindo que os critérios de pluralismo da entidade não impunham a suspensão do programa do comentador. A declaração levou o director de informação da RTP, José Alberto Carvalho, a propor a Marcelo a renovação de contrato por mais um ano. Sem efeito: Marcelo prefere voltar à TVI. Depois do PSD.


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