O Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) contestou hoje o Estudo de Impacto Ambiental relativo ao traçado do TVG na zona, criticando os efeitos no campus da Escola Superior Agrária e apontando alegados riscos relacionados com a ribeira dos Covões.
O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) "não considera a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (ESAC) nem as suas actividades" e "é omisso quanto ao património classificado existente na área de passagem do TGV, nomeadamente o Imóvel de Interesse Público "Casa do Bispo", localizado na Quinta de São Martinho do Bispo", no campus do estabelecimento - refere o IPC em comunicado divulgado hoje.
O IPC considera também que o estudo "faz ainda uma abordagem muito desatenta dos riscos hidrológicos decorrentes do atravessamento da Ribeira dos Covões".
"Com efeito, esta é uma bacia hidrográfica em rápido processo de urbanização, o que implica um regime hidrológico cada vez mais torrencial, em virtude da crescente impermeabilização dos solos na bacia hidrográfica", refere o IPC.
"Este facto pode colocar em causa o aterro previsto para o atravessamento da referida ribeira, especialmente durante episódios de chuva extremos, como o que ocorreu em outubro de 2006, cujos danos na ESAC foram muito significativos, economicamente e ao nível das infraestruturas próximas das margens da ribeira", sustenta, ao defender uma revisão do estudo nesta matéria.
A posição do IPC foi divulgada no contexto do processo de consulta pública relativo à Ligação Ferroviária de Alta Velocidade entre Lisboa e Porto [Lote 1B: Soure - Mealhada], tendo este instituto manifestado junto da Agência Portuguesa do Ambiente e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro a "sua perplexidade e desagrado quanto ao teor" do EIA.
Para o IPC, o estudo não considera a riqueza em biodiversidade existente na ESAC, nomeadamente na zona de atravessamento prevista pela solução 1-6.
"A ESAC é detentora de alguns dos últimos bosques 'climácicos' [espécies autóctones e endémicas] do que eram as florestas da região centro litoral do país", um dos quais se encontra na área de atravessamento proposta pela solução 1-6, adianta.
Contudo, para o IPC, "a alternativa 1-6 é aquela que menos danos implica para a cidade de Coimbra".
Neste sentido, sugere "uma modificação no traçado da alternativa 1-6 de forma a salvaguardar uma área de grande interesse ao nível do património construído e natural, minimizar o impacto paisagístico e garantir o funcionamento e a continuidade de um corredor ecológico que se prolonga desde a Mata do Choupal através deste vale, que permite um conjunto de funções únicas na região".
Na sua perspetiva, o traçado desta solução deve passar "a uma distância nunca inferior a 50 metros" da "Casa do Bispo" e do antigo Centro de Formação da Direcção Regional de Agricultura da Beira Litoral (hoje Serviços de Acção Social do IPC)".
O IPC entende também que, "caso a alternativa 1-6 seja a escolhida, será extremamente pertinente a implementação de barreiras sonoras, de cortinas visuais e de repensar as acessibilidades locais".
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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