Campanha 2.0 - PSD garante ser o maior partido online
Publicado em 18 de Maio de 2009
Aqui não há financiamento anónimo: os social-democratas estão a recolher donativos no site Política de Verdade
O PSD está a recolher donativos através da internet para financiar as três campanhas eleitorais deste ano. A iniciativa está em marcha no site www.politicadeverdade.com e é uma das peças- -chave na estratégia social-democrata para promover o conceito de "campanha 2.0", que será uma das imagens de marca do partido durante as eleições europeias, legislativas e autárquicas.
O efeito Obama continua a ganhar terreno entre os políticos portugueses, cada vez mais atentos às potencialidades da internet e das redes sociais para ganhar votos. "A transformação do país precisa de todos. Estou interessada em fazer política com as pessoas, e para isso socorremo-nos das novas tecnologias para promover e alargar o debate de ideias. Este contacto directo com os portugueses é o método que temos estado a seguir e que leva a que o PSD seja já, nesta matéria, o partido com mais contactos nas redes sociais da internet", explicou ao i a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite.
A recolha de donativos online é a iniciativa mais recente do PSD nesta estratégia. O sistema permite pagamentos através de cartão de crédito ou MBnet e requer o preenchimento de um formulário que permite identificar e confirmar a proveniência do dinheiro - de forma a assegurar a legalidade da transacção. Os valores disponíveis para os donativos oscilam entre os cinco e os 500 euros.
O director para as campanhas eleitorais do PSD, Agostinho Branquinho, admite que a génese da iniciativa reside no fenómeno de recolha de donativos online de Barack Obama durante a sua campanha para a presidência dos Estados Unidos - a plataforma online mybarackobama.com teve três milhões de donativos pessoais e gerou receitas de 370 milhões de euros.
Mas os social-democratas rejeitam paralelismos entre o que consideram "realidades socioculturais incomparáveis". Recusam, por isso, quantificar objectivos para a recolha de fundos. "Se tivermos donativos, é sinal de que estamos a envolver as pessoas", resume o deputado social-democrata.
"A participação cívica nos Estados Unidos não tem nada a ver com a nossa realidade. Ao contrário de nós, os norte-americanos não ficam à espera que seja o Estado a resolver tudo", constata Agostinho Branquinho, convicto de que esta campanha 2.0 do PSD "permitirá aumentar a participação dos cidadãos". "Antes, as pessoas eram apenas receptoras da mensagem. Agora, com as novas plataformas, podem agir, têm um papel a desempenhar."
Web é melhor "Mais do que ambicionar metas irreais", a ideia do PSD é "apresentar algo de inovador em Portugal". E, ao mesmo tempo, sugerir uma alternativa para ultrapassar o problema da entrada de dinheiro vivo nos cofres dos partidos. "Se os partidos quiserem receber donativos das pessoas, não há melhor método do que a internet, já que a pessoa que os envia é sempre identificada, através do cartão de crédito e da conta bancária", explica Agostinho Branquinho.
No caso concreto desta iniciativa do PSD, a aceitação dos donativos fica dependente da verificação do cumprimento de todas as normas previstas pela lei do financiamento partidário: o dinheiro não pode ser proveniente de pessoas colectivas ou empresas, o doador tem de estar devidamente identificado e os donativos não podem ultrapassar o limite anual de 10.650 euros por pessoa. No caso de não estarem cumpridos todos os preceitos legais, o PSD salvaguarda a possibilidade de recusar donativos, para "evitar a entrada de dinheiro indesejável" nas suas contas.
A decisão de avançar para esta iniciativa no site "Política de Verdade" surgiu "depois de o partido estudar muito bem a legislação" e ter a garantia de que "os mecanismos técnicos tinham a solidez necessária para que tudo corresse bem". Até agora, a colecta gerou um encaixe "apenas residual", até porque o projecto ainda não teve qualquer campanha de divulgação. "Iremos fazê-lo de forma mais massiva a partir de quarta-feira, depois da apresentação pública da estratégia do PSD para a sua campanha 2.0", antecipa Agostinho Branquinho.
Copiar Obama é "pirosismo nacional" Apesar de tudo, o deputado social-democrata garante que a campanha do PSD não vai cair no erro de querer imitar Obama. "Não precisamos de ir buscar competências aos Estados Unidos. Acho que isso é o pirosismo nacional no seu melhor. Temos, em Portugal, quadros de grande grande valor", defende o director de campanha do PSD - numa alusão à notícia do i sobre a decisão do Partido Socialista de contratar a empresa norte-americana Blue State, responsável pelo universo online da candidatura presidencial de Obama, para trabalhar as campanhas socialistas deste ano.
No caso do PSD, o desenvolvimento desta estratégia online está, segundo Agostinho Branquinho, a ser conduzido internamente por "um grupo de jovens" militantes. Por isso, "todos os custos associados a estes projectos são residuais", assegura o director de campanha do PSD.
O i sabe, porém, que a definição da estratégia para a presença online dos social-democratas contou com a colaboração directa de Diogo Vasconcelos, que é o director internacional de consultoria para o sector público da empresa de tecnologia Cisco. Diogo Vasconcelos foi também mandatário para a informação digital na candidatura de Cavaco Silva à presidência da República, durante a campanha de 2006.
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: Campanha 2.0 - PSD garante ser o maior partido online
Actividade em ionline