Das estradas do concelho de Santa Cruz retiram-se as pedras, mas também os montes de lama e outros detritos que a força da água deixou em todo o lado.
Os bombeiros asseguram o abastecimento de água a equipamentos sociais e de saúde, restaurantes e unidades hoteleiras.
“Estamos a tentar regressar à normalidade possível”, disse à Agência Lusa o presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, José Alberto Gonçalves, explicando que estão ainda a ocorrer deslizamentos de terras devido à forte pluviosidade que se abateu sábado sobre a Madeira.
O autarca, que já contabiliza dois mortos no seu concelho devido à intempérie nas freguesias da Camacha e Gaula, zonas altas do concelho nas quais “não há abastecimento público de água”.
José Alberto Gonçalves acredita que esta situação estará colmatada ao longo do dia de hoje, mas enquanto tal não suceder são os bombeiros a abastecer as populações.
O presidente do município adiantou que terá sido a autarquia a entidade “que teve mais prejuízos no concelho”.
“Um armazém, onde tínhamos equipamento e viaturas, ficou 50% danificado”, exemplificou, adiantando que um “auto-tanque para rega foi parar ao mar”.
A isto acresce um conjunto de veículos que “ficaram encavalitadas devido à força da água”.
José Alberto Gonçalves acrescentou que várias famílias ficaram desalojadas, encontrando-se ainda nove pessoas alojadas transitoriamente da Casa do Povo da Camacha, enquanto outras estão em unidades hoteleiras ou em casa de vizinhos, amigos ou familiares.
Segundo o presidente do município, há ainda “dez casas que ameaçam ruir”, assegurando que a situação vai ser avaliada e, logo que possível, acionar os meios de reconstrução.
Admitindo que não ganhou para o susto, José Alberto Gonçalves apelou à serenidade, convito que vai ser dada “a volta por cima”.
No concelho, uma das zonas mais afetadas, no lugar de Eiras, máquinas retiram ainda toneladas e toneladas de lama e outros detritos que a água da ribeira deixou na rua e também no interior das casas. Ali permanecem cerca de 15 viaturas, umas em cima das outras.
Liliana Ferreira, moradora nas imediações, que apoiou os desalojados desta urbanização, confessa ainda não estar refeita do que chamou de “pesadelo”.
Esta noite, ao mínimo som da chuva, Liliana Ferreira foi à janela ver se era muita a água.
“Pensei que a força da água vinha outra vez aí”, desabafou.
Já Ana Sousa, outra habitante, confessou que “não se consegue olhar para a cara das pessoas” que viram a lama entrar em casa e ficaram com “o rés-do-chão limpo”.
Da tragédia, retém a imagem dos “carros a afunilar” urbanização abaixo, só travados pelas casas que aí estavam, mas também a solidariedade.
“A lição que se tira disto é que as pessoas devem ajudar e acolher”, declarou.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.




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