Crime

Máfia da noite: terror, mortes, armas e droga num bar perto de si

Publicado em 22 de Fevereiro de 2010   
Portugueses e brasileiros conspiram para tomar conta da noite de Lisboa. Saiba tudo sobre Sandro Bala, suspeito de liderar esta máfia
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Seis portugueses, dois brasileiros e quatro cidadãos de países PALOP podem ficar hoje em prisão preventiva, depois de terem sido detidos na megaoperação da PSP, GNR e SEF que começou quinta e se estendeu por sexta-feira. Uma rede de suspeitos - um dos quais um agente da GNR do posto da Costa da Caparica - acusada de homicídio consumado, homicídio tentado, extorsão, associação criminosa, tráfico de droga, roubo e segurança ilegal. Mas o brasileiro Sandro Lima, mais conhecido por Sandro Bala, apontado como o líder do grupo está no Brasil há alguns meses.

O suspeito de liderar a máfia da noite na margem Sul é professor em Portugal da arte marcial desenvolvida no Brasil - Jiu--jitsu - e, segundo a investigação, alguns dos seus colaboradores mais próximos treinavam no ginásio que geria. O seu braço direito, Ed Wesley, também atleta de Jiu-jitsu foi detido na quinta-feira. O irmão de Ed Wesley, também no Brasil, é referenciado como um operacional que vinha regularmente a Portugal para cometer actos criminosos. Fonte do processo disse ao i que, para além de Sandro Bala e do familiar de Ed Wesley, há outros elementos referenciados na investigação que estão fugidos no Brasil.



Clima de terror A investigação, que contou com vigilâncias, escutas e inúmeras diligências, detectou que os suspeitos actuavam ao estilo das máfias, impondo protecção a troco de quantias elevadas de dinheiro, actuando com extrema violência e num ambiente de terror. Os envolvidos, através de ameaças e outras técnicas de intimidação, contactavam os proprietários de bares e discotecas para oferecerem os seus serviços de segurança. Quem não alinhasse, arriscava-se a ser espancado e a ver o seu estabelecimento destruído - uma técnica habitual nas máfias da noite que controlam a segurança dos estabelecimentos de diversão nocturna e assumem, frequentemente, outros negócios ilícitos como tráfico de droga, cobranças e homicídios e espancamentos por encomenda.

Operação Nemésis Os agentes que participaram na operação Nemésis começaram logo na quinta-feira por deter 13 suspeitos. A seguir, foram cumpridos 22 mandados de busca, que incluíram a cela de Pedro Gameiro, braço-direito do ex- -polícia Alfredo Morais - acusado de ser outro dos patrões da noite lisboeta.

Um dos detidos, Carlos Fialho Sousa, proprietário da empresa de segurança privada Olho Vivo, é considerado um dos elementos mais importantes na rede de extorsão, assim como um dos seus funcionários, conhecido nos meandros da noite como Beto. O agente da GNR envolvido também é suspeito de participar em espancamentos e ainda de fornecer informação priveligiada. Para além destas actividades, alguns dos detidos tinham ligações a casos de homicídio, espancamentos e tráfico de droga.

Homicídio Entre outros casos conhecidos pelas autoridades, destaca-se o homicídio de Carlos Santos, em Dezembro de 2009, vítima de espancamento, supostamente planeado por um dos detidos, Hélder Varela, também ele atleta no ginásio de Sandro Bala.

Uns dias mais tarde, F., brasileiro, referenciado pelas autoridades como suspeito de se dedicar a actividades criminosas, foi baleado na costas numa das ruas da Costa da Caparica, durante a madrugada. Segundo os relatos, dois homens terão saído de um automóvel e dispararam à queima-roupa. Os suspeitos estão entre os 12 detidos no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. Desde essa altura que F. é uma testemunha protegida pela PSP.

Vale de Judeus A operação Nemésis, coordenada pela Unidade Especial de Combate ao Crime Especialmente Violento do Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa (DIAP), teve por base uma investigação com mais de um ano onde participaram a Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP de Lisboa, a Unidade de Intervenção da GNR e a Direcção Central de Investigação, Pesquisa e Análise da Informação (DCIPAI) do SEF.

Ao fim da tarde da passada quinta-feira, cerca de 600 operacionais da GNR, PSP e SEF detiveram 13 suspeitos e cumpriram 22 mandados de busca, que incluíram a cela de Pedro Gameiro, na cadeia de Vale de Judeus. Para além das residências dos suspeitos, os agentes foram a alguns bares e discotecas onde os detidos tinham ligações. Em Lisboa, Sandro Bala era visto frequentemente no bar W, em Alcântara.


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