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Fernando Nobre defende que caso Face Oculta "merece ser esclarecido até à exaustão"

Publicado em 21 de Fevereiro de 2010   
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Fernando Nobre defendeu hoje que o caso Face Oculta “merece ser esclarecido até à exaustão”, adiantando que se estivesse no lugar de Cavaco teria chamado a Belém o Procurador-Geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

“Sou um cidadão que tem lido o que sai nos jornais, o que nem é sempre a verdade e podem ser meias verdades, agora o que eu acho é que o senhor primeiro ministro, que é um ser muito frontal, tem de dizer ao país tudo aquilo que pensa”, afirmou, em entrevista à agência Lusa, o candidato à Presidência da República.

Fernando Nobre adiantou que caso fosse chefe de Estado “teria chamado o senhor PGR, o senhor presidente do STJ” e “ter-lhes-ia falado bem olhos nos olhos”, admitindo contudo que, “provavelmente” o presidente Cavaco Silva - de quem disse ter “uma imagem de seriedade e dignidade” -, “tê-lo-á feito”.

“O senhor PGR pronunciou-se, o presidente do STJ pronunciou-se, [o processo] está na praça pública, espero que as coisas sejam esclarecidas até à exaustão, porque acho que isso é fundamental para a credibilização da classe política portuguesa, mas não é só isso, há muitos outros casos que se vêm arrastando ao longo dos anos”, disse.

Questionado se defende que o primeiro ministro deveria ter apresentado a demissão, o médico português referiu que “até hoje os tribunais nunca arranjaram matéria que o obrigasse a tomar essa decisão” e, como tal, “isso está no foro íntimo” de Sócrates.

“No dia em que fizer uma leitura de uma situação particularmente melindrosa do país, se perder a confiança no primeiro ministro, eu di-lo-ei primeiro a ele e depois, se necessário, irei até às últimas consequências”, afiançou.

Sobre a relação entre o chefe do Governo e a comunicação social, o candidato à Presidência considerou existir “uma situação de tensão muito grande entre alguns jornalistas” e Sócrates, mas que em democracia um titular de um órgão de soberania “tem de saber lidar com e aceitar todas as críticas”.

Fernando Nobre questionou ainda o plano de obras públicas delineado pelo executivo e lançou críticas aos dez estádios construído para o campeonato da Europa de futebol em 2004, que teve lugar em Portugal, considerando ter sido um exemplo de “um conluio pouco saudável na vida nacional” entre a política e as construtoras.

O médico assinalou que Bélgica e Holanda, que organizaram em conjunto o Europeu de 2000, construíram apenas “dois estádios”.

“Será que efetivamente precisamos de um novo aeroporto, de uma nova ponte, de TGV? E se precisamos será que têm de ser os três? É disso que estamos a precisar?” - questionou, dizendo privilegiar o reforço dos apoios sociais e da restauração do património cultural e monumental do país.

“Quando vou a Budapeste, a Praga, a Kiev, vejo uma restauração extraordinária das cidades, será que não seria mais vantajoso para o país e até para o turismo, para a criação de postos de trabalho, para a dinamização das PME’s, restaurarmos todo o nosso património?” - acrescentou.

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

 



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