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Madeira: último balanço dá conta de 43 mortos - vídeos

Publicado em 20 de Fevereiro de 2010   
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A Madeira acordou hoje mais calma, com o sol a substituir as nuvens cinzentas que cobriram durante o dia de ontem o céu no arquipélago. Só agora se começa a fazer a contabilidade da catástrofe. Por enquanto sabe-se que morreram pelo menos 43 pessoas, 120 ficaram feridas, há 240 desalojados e um número indeterminado de desaparecidos, naquela que foi a maior catástrofe dos últimos 100 anos na região.

"As pessoas começam agora a aperceber-se dos danos causados", conta ao i Paulo França Rodrigues, funcionário público residente no Funchal. "Está tudo mais calmo, mas as pessoas estão apreensivas. Há danos enormes e as ribeiras continuam com um caudal muito grande."

Paulo diz conseguir ver da sua varanda muitas pessoas a dirigirem-se a pé para o centro da cidade. "As pessoas estão na rua e vão até à baixa ver com os próprios olhos." O funcionário público diz ainda que não se sabe como será segunda-feira, "se as escolas estarão abertas, como será o acesso aos locais de emprego, etc."

Várias localidades isoladas sem água nem luz no Funchal e da Ribeira Brava, muitas casas e carros destruídos, estradas interditas ao trânsito e um rasto de lama são os sinais materiais visíveis do temporal que assolou sábado a Madeira.

 A chuva continua a cair mas com menos intensidade, pelo menos no Funchal, e as máquinas trabalham incessantemente na remoção de entulhos e pedras no centro da capital madeirenses, sobretudo nas zonas do Mercado dos Lavradores, Rotunda do Dolce Vita, Avenida do Mar, da Arriaga e das Comunidades Madeirenses.

 As ribeiras cidade estão cheias e as águas lamacentas continuam a correr com força. 

 Alguns transeuntes circulam nas áreas mais afetadas entre os destroços para recolher imagens e observar "in loco" os prejuízos que lançaram o caos na cidade.

 Entre as localidades em que as populações isoladas fazem apelos por ajuda, estão o sítio das Eiras no Monte, da Serra d'Água, Furna e Pomar da Rocha, bem como na costa norte entre S. Vicente e Porto Moniz, e as comunicações continuam a ser difíceis.

 O contacto de alguns deste sítios acontece apenas via rádio, tendo alguns residentes manifestado esperança na chegada das pontes militares que deverão chegar à madeira ao fim da manhã no C-130.

 No Aeroporto do Funchal, o movimento decorre com normalidade, já aterraram alguns aviões e o quadro de informações confirma os vários voos sem qualquer indicação de atraso e ou cancelamento.

 Nesta infraestrutura aeroportuária, algumas equipas de futebol regional aguardam por indicações das federações sobre a realização dos jogos que foram cancelados.

 A circulação na via rápida faz-se sem problemas, apesar de alguns dos acessos à cidade do Funchal estarem encerrados, casos da Pena e do Jardim Botânico.

"A minha mãe ainda está no trabalho.. não consegue de lá sair, nem podemos ir lá buscá-la. Isto é incrível", dizia ontem uma madeirense contactada pelo i, retratando o desespero de toda a população da ilha. Outro cidadão referia-se ao temporal como "a pior catástrofe de sempre na Madeira".

Ontem, à saída da reunião com a Comissão Nacional, José Sócrates falou aos jornalistas, expressando a sua solidariedade com o povo da Madeira. "Estou absolutamente consternado e desolado. Quero mostrar a minha solidadriedade e dar uma palavra de coragem. Daremos todo o apoio que pudermos dar", afirmou. O primeiro-ministro foi ainda ontem para a Madeira para reuniar com Alberto João Jardim. No final da reunião, José Sócrates disse que dará toda a ajuda necessária. "Nós oferecemos ao senhor presidente do Governo Regional da Madeira toda a ajuda de que necessitar para que a Madeira possa iniciar imediatamente esses trabalhos."

O Presidente da República Cavaco Silva expressou também ontem "as mais sentidas condolências" às famílias atingidas pela morte.

 

Veja alguns depoimentos de madeirenses sobre a calamidade:

"Não consigo sequer descrever o que estou sentindo. :// Tenho amigos que até mortos já viram hoje. É uma verdadeira calamidade", disse Isabel Freitas, Estudante de enfermagem.
"Pá eu continuo preso no centro da cidade desde as 11 da manhã, está muito complicado circular na baixa da cidade. Dolce Vita tem os três andares submersos...
Olha confirma-se os 3 andares de estacionamento do Dolce Vita estão completamente inundados. Algumas pessoas estão retidas no Funchal, consigo circular na zona da Sé - Banco de Portugal até o largo do colégio. Na RTP dizem que já há falta de água e as comunicações telefónicas são complicadas.” - Mensagem enviada via sms.
"Fui parar ao porto santo.. ! era para ter chegado às 9 e depois de muitas tentativas aterrei às 14 horas. Isto esta o caos :((" Mensagem enviada por sms de jovem que chegou hoje ao Funchal de avião.
"O meu pai foi ao hospital fazer exames mas dps veio-se embora quando começou a ver tantas pessoas feridas.." - Madeirense fala sobre o caos no hospital.
"Famelga esta tudo bem, estamos em casa. Não consigo fazer chamadas... obrigada!" - Madeirense que tem falado com a família e amigos via Facebook


Se tiver fotografias ou vídeos do mau tempo na Madeira envie para radar@ionline.pt



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