O Museu do Ferro e da Região de Moncorvo faz este sábado 15 anos a mostrar memórias da actividade mineira que marcou esta zona do Nordeste Transmontano, onde ainda jazem milhões de toneladas de minérios.
Desde 1992 que não se extrair ferro nas minas de Moncorvo, mas o legado desta actividade que remonta ao tempo dos romanos pode ser revisitado no Museu criado, em 1983, na localidade do Carvalhal e transferido, em 1995, para a sede de concelho.
Os 15 anos em Torre de Moncorvo serão assinalados, ao longo de 2010, com exposições, actividades para as escolas, nomeadamente ateliers, e a publicação de um livro sobre este período, segundo disse à Lusa Helena Pontes, a chefe da divisão de Cultura e Turismo da Câmara local.
A autarquia é a responsável pelo espaço museológico e vai comemorar o aniversário, sábado, numa cerimónia integrada no programa da “Festa das Amendoeiras em Flor", que até final de março chamam turistas à região e ao museu.
Naquele espaço, a Sala do Ferro mostra uma exposição permanente dedicada à temática, que pode ser mais aprofundada na oficina do conhecimento, noutro piso, com imagens satélite dos dois acidentes geomorfológicos que influenciaram a história desta região: o vale da Vilariça e a Serra do Reboredo.
Segundo se pode ler no site do museu na Internet, na serra do Roboredo jazem mais de 670 milhões de toneladas de minérios de ferro (hematite e magnetite).
Na sala é exibida uma estela-menir antropomórfica do período Calcolítico (Idade do Cobre), proveniente da Vilariça, prova da ocupação remota desta zona, de acordo com o memorando publicado.
O Museu mostra também outros aspetos do património da região numa projeção audiovisual, documentários, e um filme da década de 1950 sobre o trabalho nas minas de Moncorvo, desativadas há 18 anos.
Segundo Helena Pontes, a exploração mineira foi feita pela Ferrominas entre 1951 e 1992, mas os registos históricos mostram que esta actividade na zona de Moncorvo vem já da época romana, com um interregno no século XVIII, sendo retomada no final do século XIX.
Da actividade que se gerou em torno da Ferrominas restam ainda dois ferreiros, um em Torre de Moncorvo e outro no Felgar, e uma forja no Felgar, de acordo com a responsável autárquica.
O espólio do Museu do Ferro é composto também pelos resultados das prospeções e escavações realizadas desde 1980 nesta zona, nomeadamente objetos metálicos, estelas funerárias romanas, diversas pedras lavradas da época medieval, milhares de fragmentos de cerâmica e ossos.
Situado nas traseiras da Igreja Matriz, na Casa do Barão de Palme, o Museu permite ainda aos visitantes desfrutarem de um jardim com árvores da região e um auditório com vista para a Serra do Reboredo.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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