Presidenciais

Alegre ataca em Coimbra quem divide os votos do PS

Publicado em 19 de Fevereiro de 2010   
A candidatura de Nobre é encarada pelos alegristas como declaração de guerra de Soares
Opções
a- / a+
À mesma hora que o presidente da AMI, Fernando Nobre, anuncia a sua candidatura às presidenciais, Manuel Alegre responderá ao avanço. Espera-se um discurso duro: os alegristas encaram o avanço de Nobre, impulsionado por Mário Soares, como uma declaração de guerra. Hoje, às oito horas da noite, os directos das televisões estão divididos entre o Hotel D. Inês, em Coimbra, e o Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa. Prevê-se, segundo fontes da campanha afirmaram ao i, um discurso recheado de alusões ao "divisionismo" da esquerda e, indirectamente, a Mário Soares.

Manuel Alegre tem hoje a seu lado em Coimbra o histórico militante do PS e fundador do Serviço Nacional de Saúde, António Arnaut. Há algum tempo que a sala do hotel tinha a lotação esgotada. Os jantares vão continuar por todo o paíse e, desta vez, ao contrário do que se passou nas últimas presidenciais, Manuel Alegre já tem a seu lado parte do PS. O próximo jantar é em Vila Real e vai contar com a presença do presidente da distrital e vice-presidente do grupo parlamentar do PS, Mota Andrade. O presidente do governo regional dos Açores, Carlos César, já deu o seu apoio, a Federação de Lisboa e de Aveiro também, o PS oficial espera pelo fim do debate do Orçamento para se pronunciar. Mas Francisco Assis, o líder parlamentar, já manifestou apoio à candidatura de Alegre. António Costa, que contou com os bons ofícios de Alegre no apoio ao acordo PS/Roseta, também defende a candidatura do ex-deputado.

O vice-presidente do grupo parlamentar, Strecht Ribeiro, não tem quaisquer dúvidas. "Apoio Manuel Alegre e tudo farei para apoiar, como militante do PS, o candidato que é melhor", diz ao i, fazendo a reserva de que fala a título pessoal, mas que espera que o PS apoie o deputado. "O apoio do PS é importante porque quem for apoiado pelo partido vai ter maiores probabilidades de ganhar as eleições", defende, afirmando desconhecer "qual é o espaço de Fernando Nobre". "Não é fácil situá-lo, não sei qual é o espaço dele. É uma boa pessoa, mas isso não lhe confere peso político".

Medeiros Ferreira, que apoiou Soares nas últimas presidenciais, recusa pronunciar-se tão cedo "porque no quadrante da esquerda a questão está dilemática". Acha que "a questão fundamental anterior ao apoio a dar aos candidatos é: há vontade, há interesse, há condições para derrotar Cavaco Silva?". Para o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros parece "bastante óbvio" que só uma candidatura única pode derrotar Cavaco.

Cisão nos "Cidadãos por Lisboa" O ambientalista António Eloy foi candidato nas listas dos Cidadãos por Lisboa e trabalha no gabinete de Helena Roseta. Ao contrário da maioria do grupo de Roseta, que está ao lado de Manuel Alegre, Eloy apoia Fernando Nobre. "Representa uma nova alternativa política. Irei apoiá-lo com toda a minha energia", diz ao i, elogiando "a capacidade, coragem e visão" de Fernando Nobre e, ao contrário de Roseta, acha que Alegre está "demasiadamente comprometido" com o "passado" socialista.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close