O ex-futebolista Luís Figo mostrou-se hoje revoltado e surpreendido com a notícia sobre o alegado pagamento de 750 mil euros pela Portugal Telecom (PT) para participar na campanha de José Sócrates e confirmou que já apresentou queixa.
O ex-internacional português confessou sentir “um pouco de revolta” pela situação em que está envolvido e negou que tenha recebido qualquer quantia para apoiar publicamente o a tual primeiro ministro.
“Sou acusado de uma coisa que não tem qualquer sentido. Para mim é estranho. Fiquei surpreendido ao ver o meu nome envolvido em toda esta situação, porque a única coisa que tenho é um contrato de imagem com uma empresa”, afirmou Figo, confirmando que tem “um contrato pessoal, a nível de imagem, com a Tagus Park”.
As alegadas contrapartidas concedidas pela PT, por intermédio do administrador Rui Pedro Soares, ao antigo futebolista são um assunto “totalmente falso”, segundo o próprio, pois o apoio concedido a José Sócrates “foi inteiramente pessoal, como cidadão”, pelo que se mostrou surpreendido com toda a situação.
“Uma coisa é o meu apoio como cidadão a uma campanha e a outra é a vertente profissional em que tenho diversos contratos, como sempre tive ao longo dos últimos 10 anos. Não sei o por quê de quererem envolver as duas situações”, reiterou.
Luís Figo confirmou que já apresentou “uma queixa, pelas informações que saíram”, mas que ainda não foi informado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) se a investigação está em curso.
O atual relações internacionais do Inter de Milão, clube onde terminou a carreira, falava à margem de uma iniciativa da sua fundação e acabou por criticar o comportamento da comunicação social.
“A única coisa que a comunicação social tem de fazer é comunicar os factos reais e não dizer que o senhor Luís Figo recebeu tanto para apoiar o senhor primeiro ministro, o que não é verdade. Ou apresentam provas conclusivas ou não podem fazer este tipo de artigos”, afirmou.
Visivelmente agastado com a situação, o ex-futebolista afirmou que não pode “lutar contra uma informação falsa” e, como cidadão, vai seguir o meio judicial: “O tempo dirá a verdade, porque é a única coisa com que posso lutar, já que não posso controlar a comunicação social”, concluiu.
Rui Pedro Soares renunciou quarta feira ao cargo de administrador da PT e, numa carta enviada ao conselho de administração da empresa, garantiu que nunca teve qualquer "comportamento indevido" e que não praticou atos "lesivos dos interesses" da empresa.
A última edição do semanário Sol voltou a transcrever extratos do despacho do procurador João Marques Vidal, responsável pelo caso Face Oculta, em que considera haver “indícios muito fortes” do envolvimento do Governo, “nomeadamente o primeiro ministro”, num plano de controlo de vários meios de Comunicação Social, além da TVI.
Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT, Fernando Soares Carneiro, administrador da PT e o proprietário da Controlinveste, Joaquim Oliveira.
No âmbito do processo Face Oculta, que investiga alegados casos de corrupção relacionados com empresas privadas e do sector empresarial do Estado, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, que suspendeu as suas funções de vice-presidente do BCP, e Paulo Penedos.
Este texto foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico




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