Eleições

Presidenciais. A mão de Soares empurra Fernando Nobre contra Alegre

Publicado em 18 de Fevereiro de 2010   
Soarista Vítor Ramalho não apoia formalmente Nobre, mas diz que "esta é uma candidatura muito necessária"
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Fernando Nobre avança para a candidatura à Presidência da República pela mão de Mário Soares. O incentivo do ex-Presidente foi confirmado pelo presidente da AMI ao Bloco de Esquerda quando, há duas semanas, informou o partido - do qual foi mandatário nas eleições europeias -, de que ia avançar para Belém, soube o i. Nobre junta-se assim a Manuel Alegre na corrida à Presidência e cria um problema à esquerda (leia-se PS e Bloco).

Fernando Nobre anuncia a candidatura na sexta-feira, às 20 horas, no Padrão dos Descobrimentos, precisamente à mesma hora em que Manuel Alegre estará em Coimbra para um megajantar com apoiantes.

O presidente da AMI não tem experiência política, mas toca vários quadrantes: apoiou Mário Soares nas presidenciais de 2006, foi mandatário de António Costa em Lisboa e deu o seu apoio ao social--democrata António Capucho nas últimas autárquicas, para além do Bloco nas europeias. Há muito que a ala soarista do PS procurava um candidato alternativo a Alegre: Jorge Sampaio, Jaime Gama, Artur Santos Silva, Vera Jardim, Carvalho da Silva, Guilherme d'Oliveira Martins e Gomes Canotilho foram nomes sondados para Belém e todos recusaram. Alegre avançou sozinho, mas a falta de consenso foi o calcanhar de Aquiles que António Vitorino lhe apontou: "Se ele aspira a ter o apoio do PS não poderá aparecer como um candidato oriundo da área do BE", disse na RTP.

Alegre respondeu dizendo que não se candidata "em nome de nenhum partido". "Serei candidato por Portugal", afirmou.

Portugueses e soaristas Sem nunca dar o apoio a Fernando Nobre, Vítor Ramalho, líder do PS de Setúbal e próximo de Mário Soares, sublinhou que esta é "uma candidatura muito necessária". Mas fica-se pelos elogios a um candidato que é, nas suas palavras, "transversal" . Não vai à apresentação da campanha, avisa.

Já sobre o facto de esta ser uma candidatura com o selo de confiança da ala soarista - com a qual é conotado -, Vítor Ramalho demarca-se. A ideia que paira é de que Fernando Nobre seria a escolha ideal para todos os que não queriam Manuel Alegre como candidato socialista a Belém: um ajuste de contas com a candidatura de Alegre nas presidenciais de 2006. "Isso é de tal maneira falso e especulativo que os portugueses vão ver que não é assim", defende.

Também Alfredo Barroso, antigo chefe da Casa Civil de Mário Soares, elogia Fernando Nobre, mas não dá o seu apoio ao médico da AMI. "Não tenho nenhuma objecção [à candidatura de Nobre]. É uma pessoa que admiro e estimo", confessa. Até porque considera que é prematuro fazer comentários: "Ainda não sabemos se a candidatura tem pernas para andar e eu não sou oráculo", defende Alfredo Barroso, lembrando que Nobre precisa de 7500 assinaturas para formalizar a candidatura. Quanto a aparecer na apresentação, Alfredo Barroso também se distancia: "Não fui convidado e não costumo ir a casamentos e baptizados para as quais não fui convidado".

E o PS? Para já, reina o silêncio. Não prestou apoio formal ao histórico do partido e ontem o líder da bancada socialista, Francisco Assis, recusou-se a comentar a novidade. "O PS, na altura própria, tomará uma posição sobre as eleições presidenciais." Para depois da aprovação do Orçamento do Estado, acrescentou. Março, portanto.


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