A Guerra de Galos entre Rangel e Aguiar-Branco

por Sónia Cerdeira, Publicado em 17 de Fevereiro de 2010   
O partido está dividido e há cada vez mais militantes a pedirem a fusão das candidaturas contra Passos Coelho
Opções
a- / a+
Quem desiste? Paulo Rangel e Aguiar-Branco são filhos da ala ferreirista do PSD, mas já assumiram a guerra política. Nenhum aceita comentar oficialmente as qualidades políticas do outro e, enquanto nos bastidores se cerram fileiras em torno dos dois nomes, crescem os receios de que a divisão de votos beneficie Passos Coelho nas eleições directas de 26 de Março.

O primeiro aviso à navegação surgiu pela voz de Alexandre Relvas, o presidente do Instituto Sá Carneiro, que apoia Aguiar-Branco, quando pediu a fusão das duas candidaturas que dividem a ala ferreirista. Seguiram-se outras vozes.

Sofia Galvão, vice-presidente do PSD, expôs ao i o que considera as contradições da posição de Aguiar-Branco: "Ele assume-se como candidato da união, mas logo a seguir diz que não lhe compete o passo no sentido da convergência."

O deputado social-democrata e vice-presidente da Assembleia da República, Guilherme Silva, garante ao i que "a divisão só beneficia quem está isolado", referindo-se a Pedro Passos Coelho. Diz que já manifestou publicamente o seu apoio a Paulo Rangel e considera que "a cronologia da apresentação das candidaturas poderia ser o critério para escolher quem deve abandonar a corrida". Ou seja, Aguiar-Branco "deverá desistir".

Em declarações ao i, fonte próxima de Aguiar-Branco também refere as vantagens de uma candidatura única e defende que Rangel não terá sucesso em campanha: "Ele trabalha sozinho, tem tiques de one man show e enquanto líder do grupo parlamentar nunca reuniu com os deputados para discutir política." Na direcção da bancada parlamentar laranja, que recebeu a candidatura de Aguiar com aplausos, a certeza de que "um terá de saltar a meio da campanha" é dominante. "Esperemos que a traição não leve a melhor", diz um deputado ao i, referindo-se à forma como Rangel apresentou a candidatura sem avisar Aguiar-Branco.

Há porém quem veja vantagens nas duas candidaturas. Carlos Carreiras, presidente da distrital de Lisboa e apoiante de Pedro Passos Coelho nas directas de 2008, defende que "ideias diferentes permitem uma maior possibilidade de escolha". Rangel e Aguiar-Branco, porém, não desarmam: desistir não é opção.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close