Sporting

Bettencourt não esquece a paixão por Villas-Boas

Publicado em 17 de Fevereiro de 2010   
Técnico esteve quase certo em Novembro e volta a estar no topo das prioridades para suceder a Carvalhal. Porquê? É jovem, metódico e ambicioso
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"Independentemente dos treinadores, existem projectos para o clube que não devem ser só da responsabilidade do técnico", explicou José Eduardo Bettencourt na última sexta-feira. Antes repetira três vezes com um lacónico "eu" sobre quem estava já a preparar a próxima temporada. Hoje, mais de 100 horas depois da intervenção, o presidente leu lamentos da ala franquista, ouviu conselhos de uma oposição que continua a criticar sem apresentar soluções e viu (melhor, não viu mas soube) o próprio presidente da assembleia geral considerar algumas ideias como algo "inoportuno, intempestivo e injusto". Mas nem por isso se desvia do plano gizado para uma nova era no futebol leonino. E que já vem de Novembro (com um erro de casting pelo meio): André Villas-Boas, o jovem treinador da Académica que esteve a um pequeno passo de suceder a Paulo Bento - o contrato estava certo mas os responsáveis de Coimbra não baixaram a cláusula e o negócio abortou -, é a grande prioridade de Bettencourt para 2010-11. Resta saber qual o interesse do técnico em ir para Alvalade.

É certo que, entre alguns elementos que fazem parte dos actuais corpos sociais, os nomes de Manuel José e Laszlo Bölöni eram bem vistos, mas o presidente leonino, que possui excelentes referências do treinador que acompanhou José Mourinho até ao final da última época, sente que o sangue novo que quer incutir no clube para tornar o Sporting numa verdadeira organização vencedora também passa pelo perfil do timoneiro da equipa. E Villas-Boas, reconhecido pela capacidade de planificação e aposta nos jovens, veste bem esse fato. Tal como Pekerman, uma espécie de "eterno prometido" que permanece como reserva.

AZUL O semáforo concebido para o novo Sporting esquece o amarelo mas aposta forte no azul - o modelo presidencialista do FC Porto. O líder reconhece que os leões são um clube com características especiais e, como tal, quer chamar a si a atenção (e ao director-desportivo que será contratado) e soltar o técnico para as áreas em que é especialista. Mas esse é o espírito que Bettencourt quer também aplicar à própria organização interna, na óptica de "quanto menos pessoas, menos ruído e mais eficácia": José Filipe Nobre Guedes (finanças), Pedro Mil-Homens (Academia e formação) e Pedro Afra (marketing) são os homens mais próximos.

VERMELHO O Benfica também serve de inspiração mas só na fase de arranque. Bettencourt lembrou a capacidade das águias formarem uma equipa forte e com muitas opções, após quatro anos a terminar em terceiro ou quarto lugar. A criação de um fundo de jogadores está quase certa, mas algumas das pérolas formadas no clube também serão vendidas para haver dinheiro para investir a sério na construção do novo plantel.

VERDE Após mudar a matriz do clube e romper com o modelo actual, o último grande desafio será unir todos os quadrantes. Ou "dar paz à família sportinguista". E esta parece mesmo a tarefa mais complicada, porque nem os 90% que teve nas eleições acalmaram os ânimos. Só para dizer mal, porque as alternativas nunca surgem.



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