Dizia-se que o aluguer de vídeos ia acabar com os cinemas, mas afinal foi o aluguer de vídeos que desapareceu. Não há experiência que se compare com o som, a imagem e o conforto de uma sala climatizada, sobretudo em boa companhia. Os cinemas mudaram, adaptaram-se e estão para ficar. Mas não são todos iguais.
Em Lisboa já houve mais cinemas, mas nunca tantas salas. A massificação é indiscutível, mas mesmo assim há diferenças - e preferências. As instalações multiplex permitem a escolha entre vários filmes e horários, contudo há menos opções; a consolidação das distribuidoras levou a que o mesmo filme passe em muitas salas e na cidade inteira haja poucos filmes por onde escolher. As grandes vítimas são as produções europeias e independentes, que raramente chegam ao público. A cinematografia francesa e espanhola (para não falar na brasileira), pujantes e abundantes, estão relegadas aos DVD, televisão e empréstimos de amigos. Mesmo assim, o cinema continua a tirar os alfacinhas de casa.
2 salas
Av. Roma, 7A
Tel. 707 220 220
Clássico das noites lisboetas, teve épocas em que todos os cinéfilos se encontravam nas sessões especiais com filmes de culto ou de moda. Perdeu o carisma, mas ganhou um restaurante Magnólia. A escadaria de entrada continua assustadora. Descê-la dá vertigens e subi-la é um exercício de cárdio-fitness. As cadeiras são apertadas, sobretudo o espaço para as pernas; a inclinação do piso é boa.
O átrio é um labirinto atravancado com bonecos monstruosos, as salas são mínimas e o cheiro a pipocas e odor corporal lembra um filme de série B. As bilheteiras parecem autênticas trincheiras, com toda a gente a atropelar--se. As cadeiras são normais, com pouco espaço para as pernas e a inclinação dos auditórios é insuficiente. Há sempre a hipótese de sair por rampa em espiral até à superfície para apanhar ar.
A escolha de filmes é a melhor, pois claro, mas as salas e a arquitectura em geral são das mais infelizes da cidade. Cheiram a mofo e a decoração parece uma obra inacabada por falta de verba. As cadeiras destinam-se àqueles que preferem a arte ao conforto; o espaço para as pernas é bom, mas os assentos são duros. A inclinação das salas é mínima, mas como os ecrãs estão altos não faz tanta diferença. Agora o restaurante é muito agradável; vale a pena mesmo sem ir ao cinema.
Está velho e não é nem bom nem mau; não se dá por ele. Só mesmo como cinema de recurso quando está tudo esgotado ou quando é o que fica mais perto de casa. As cadeiras são duras e o espaço para as pernas é apenas suficiente. À noite só tem o apoio de umas pastelarias corriqueiras.
É um caso de amor. As instalações são periclitantes, as cadeiras gemem, as pernas não se podem mexer e o som irrita; mas passa filmes que não passam em mais lado nenhum, normalmente muito bons, e tem uma livraria dedicada às artes e espectáculos. O estacionamento à noite não é difícil e em frente fica o Matos, um restaurante a sério.
O átrio é uma anedota e empurra para a cafetaria Medeia, completamente dispensável. Não há realmente onde ficar antes de entrar ou depois de sair. Não admira que as pessoas tenham sempre um ar infeliz. As salas são variáveis, só a grande é que tem espaço conveniente para o som. Cadeiras q. b., bom espaço de pernas, inclinação insuficiente.
Uma das salas tem a curiosidade de ter um pilar a meio. Cadeiras normais, pouco espaço de pernas, inclinação insuficiente. Mas o mais interessante é que quando o metropolitano passa treme tudo; não é aconselhável para filmes com catástrofes. Logoà entrada há uma livraria interessante e tem o apoio culinário fast food das caves do centro comercial.
Tem tantas salas que há sempre um filme que sirva. O som e a imagem são de primeira e as salas invulgarmente amplas para um multiplex. As cadeiras são muito confortáveis e o espaço para as pernas luxuoso. A inclinação das salas é média; as crianças precisam de extensor de altura. Metro à porta, estacionamento, e a UCI Card, que dá descontos nos bilhetes. Mas a passagem pelo fast food é deprimente, mesmo com um GoNatural.
As salas são agradáveis, não têm nada a ver com a enorme casa de banho verde que é o exterior. As cadeiras são simpáticas e as pernas mexem-se bem. As inclinações variam, podiam ser melhores. Parte técnica impecável e há 12 opções. Mas é longe de tudo, o metro fica do outro lado e nos dias de jogo nem pensar em estacionar.
Tecnicamente correcto, mas as pipocas são más, por razões misteriosas (uma vez que tudo é padronizado). Custa a lá chegar, é preciso atravessar meio shopping, o que pode ser traumatizante para cinéfilos sensíveis. As salas não são inclinadas, o que obriga os menos altos a esticarem o pescoço; cadeiras normais, espaço para as pernas médio. A frequência é muito ecléctica, o que tem levado a incidentes de vez em quando. Opções alimentares não faltam, dentro do género.
E o grande vencedor é:
Foi cinema nos anos 60, fechou, e agora voltou com uma produção luxuosa. O átrio é espampanante, as salas confortáveis, o ambiente impecável e os acepipes dignos de nota. E ainda tem estacionamento próprio, para uma experiência cinematográfica completa. Bom para sair com a namorada pela primeira vez.




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