Se Sócrates se demitir, Costa aponta para Teixeira dos Santos e Gama

Publicado em 13 de Fevereiro de 2010   
Admitindo a saída de Sócrates, Costa defende que o PS tem no governo e no Parlamento "boas soluções"
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"José Sócrates tem todas as condições internas e plena legitimidade eleitoral para exercer as funções que exerce. Não se justifica, por isso, essa cenarização." Confrontado pelo i com a possibilidade de substituir José Sócrates no governo e no partido, António Costa, o número dois do PS, exclui-a liminarmente. "Em qualquer caso, como é sabido, tenho um compromisso único nos próximos quatro anos: Lisboa. Estaria sempre excluído."

Mas com a demissão do primeiro-ministro a ser pedida todos os dias (ontem foi a vez do conselheiro de Estado António Capucho à Antena 1) a continuação de Sócrates é sustentável? Ao i, Costa continua a insistir que "José Sócrates tem todas as condições e legitimidade para ser primeiro-ministro", mas indica um caminho ao PS que não passa por si próprio: "Se por qualquer hipótese [o primeiro- -ministro] deixar de o ser, o PS tem no governo e na Assembleia da República boas soluções que asseguram a continuidade institucional do seu mandato."

António Costa recusa-se a concretizar ao i quais são as "boas soluções" que o PS tem "no governo e na Assembleia da República", mas a frase encaixa que nem uma luva numa teoria que tem vindo a ser avançada nos bastidores do PS: a hipótese de, com a bênção de Cavaco Silva, Teixeira dos Santos substituir Sócrates no cargo de primeiro-ministro (mantendo-se Sócrates como secretário-geral) ou então Jaime Gama, o presidente da Assembleia da República, passar a primeiro-ministro e a secretário-geral do PS. A vantagem desta solução é que seriam evitadas as eleições antecipadas que ninguém quer, com a excepção do próprio Sócrates que tem apostado na dramatização política e na ameaça de demissão, a propósito da Lei das Finanças Regionais.

Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças, foi o único membro do governo a ser elogiado pelo Presidente da República, na entrevista que deu ao "Expresso", no que foi lido nos meios socialistas como um sinal de preferência de Belém. "Face às dificuldades financeiras e económicas que o país atravessa, é necessário que as instituições se concentrem na resolução dos problemas." Quanto a Jaime Gama, esteve no Conselho de Estado ao lado de Cavaco em defesa da "estabilidade política" e no dia seguinte, quando se especulava sobre a demissão iminente do ministro das Finanças e do próprio primeiro-ministro na sequência do drama das Finanças Regionais, disse aos jornalistas: "Face às dificuldades financeiras e económicas que o país atravessa é necessário que as instituições se concentrem na resolução dos problemas." Esta semana, o "Público" noticiou que, em privado, Gama mostrou-se preocupado com a falta de credibilidade de Sócrates para continuar a dirigir o país.

Jaime Gama nunca conseguiu ser líder do PS. Perdeu duas vezes, primeiro para Constâncio e depois para Sampaio e falhou a sucessão de Sócrates quando, depois de anunciar a candidatura, recuou no dia seguinte. Mas apesar do histórico insucesso partidário de Gama, há quem admita que numa situação tão crítica como a presente, o partido o aceitará imediatamente. É verdade que o PS está mergulhado num clima de fim de regime e se Sócrates e o seu núcleo íntimo - a que se juntam Almeida Santos e Mário Soares - continuam a insistir que o primeiro-ministro é "vítima" e se insurgem contra a divulgação de escutas, fora desse núcleo fazem-se contas sobre por quanto tempo é que a situação será suportável para o partido e para o governo. Comparado com isto, o famoso "pântano" guterrista era uma brincadeira, admitem ex-ministros de António Guterres.

A maioria dos dirigentes contactados pelo i não acredita que Sócrates abandone o partido e o governo pelo seu próprio pé, tendo em conta a sua personalidade. Resistirá até ao fim, é a opinião dominante. Mas à frenética actividade de bastidores não correspondem grandes declarações públicas sobre o caso PT/TVI, à excepção de Ana Gomes, João Cravinho, Vera Jardim e António José Seguro. O risco de o PS punir quem criticar o líder num momento em que ele está publicamente arrasado e, assim, "ficar mal na fotografia", é medido cuidadosamente no partido.


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