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Escutas falsas? João Carlos Silva diz que sim, Paulo Penedos não confirma

Publicado em 13 de Fevereiro de 2010   
Penedos justifica-se com o segredo de justiça para não esclarecer conversas sobre Granadeiro. Chairman da PT diz que foi "encornado"
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Escutas falsas? Troca de identidades? A dúvida é lançada por João Carlos Silva, citado no "Sol" como interlocutor de Paulo Penedos - assessor jurídico da PT - em conversas sobre Henrique Granadeiro, chairman da empresa. "A alegada escuta não existe, não pode existir porque a conversa telefónica que relata nunca existiu. O que vem no jornal é falso", afirma o advogado num email enviado a Granadeiro. Paulo Penedos, ao i, não confirma nem desmente, justificando ter de respeitar o segredo de justiça.

Em declarações à "Visão", Granadeiro diz, rindo-se, que se sente "encornado" com a descoberta de que a PT fazia parte de um alegado plano do governo para controlar os media. Assegura que não desconfiava dele, mas admite que possa ter acontecido. "À minha revelia", acrescenta. Explica ainda já ter falado sobre o assunto com o CEO da PT, Zeinal Bava, e garante que "ninguém se demitiu". Contactado pelo i, Granadeiro não quis fazer qualquer comentário adicional. Porém, o mal-estar está instalado na operadora e novamente com administradores apoiados pelo Estado: Rui Pedro Soares e Soares Carneiro. Granadeiro considerou que os pedidos de providência cautelares, assim como a divulgação das escutas, afectaram a reputação da PT - conforme disse ao "Negócios" - e salientou que este era um problema a "resolver internamente". Soares Carneiro esteve, ainda em 2009, envolvido noutra polémica, relacionada com os investimentos dos fundos de pensões da PT na Ongoing.

Falam, falam... São duas as conversas atribuídas ao advogado e ex-presidente da RTP. Numa delas, depois de Paulo Penedos lhe ter dito que Granadeiro se tinha portado bem - declaração em que assegurava não ter falado com o governo -, João Carlos Silva terá respondido que "lhe ligou cinco vezes e exigiu que ele falasse com o chefe". Foi sobre esta declaração que Granadeiro pediu a divulgação do desmentido. Contudo, no email João Carlos Silva informa que "a outra conversa" relatada também "não corresponde à verdade". Novamente a falar com Paulo Penedos (arguido no Face Oculta, tendo por isso o telefone sob escuta), a 26 de Junho é-lhe imputada uma declaração irónica sobre o negócio da TVI: "Então são vocês que recebem ordens para fazer, mas recebem ordens para desfazer?" Ao que Paulo Penedos terá respondido que o tempo do negócio passara e que "Sócrates não se quer ver embrulhado numa guerra".

Paulo Penedos não classifica as escutas como falsas. "Há incorrecções, é assim que qualifico. E a divulgação integral das escutas esclareceria essas incorrecções", afirma ao i. O que se passa, então, com as escutas que João Carlos Silva desmente? Penedos explica que para responder teria de quebrar o segredo de justiça a que está obrigado, porque estaria a entrar "no conteúdo" das escutas. "Cabe às pessoas referidas esclarecerem", justifica.

Paulo Penedos esteve dois dias em Aveiro, a consultar as transcrições. No final teve de assinar um documento em que se comprometeu a manter o segredo de justiça. Feita a confirmação de tudo o que foi captado pelos investigadores, não esclarece se houve pormenores em que poderá ter sido atraiçoado pela memória. "O que posso reiterar é que não me revejo na forma como as conversas foram noticiadas. Há lacunas que prejudicam a percepção do que foi dito e da minha intervenção como assessor jurídico."

Para esclarecer as muitas dúvidas que as notícias das últimas semanas suscitam, o advogado afirma estar disponível para todos os esclarecimentos nos tribunais e, no plano político, na comissão parlamentar de Ética, onde será ouvido a 24. A audição será aberta e Paulo Penedos assegura não ter "nada a opor" se algum deputado quiser pedir ao Ministério Público o levantamento do sigilo.



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