O líder parlamentar do CDS-PP observou hoje que “quem teve a ideia” de interpor uma providência cautelar para impedir a publicação de notícias com escutas no semanário Sol “deu uma publicidade brutal” à matéria.
“Não me quero intrometer nas questões de Justiça. Mas também quero dizer que quem teve a ideia desta providência cautelar a única coisa que fez foi de facto dar uma publicidade brutal e devia pensar um pouco nessa matéria", afirmou Pedro Mota Soares, citando um provérbio popular: "O fruto proibido é o mais apetecido".
"Provavelmente foi o que aconteceu hoje", disse.
Em declarações aos jornalistas no Parlamento, Pedro Mota Soares respondeu desta forma à pergunta se considera que as notícias hoje publicadas pelo Sol permitem concluir que existia um plano do Governo para controlar a comunicação social.
A providência cautelar foi interposta pelo administrador da PT Rui Pedro Soares e visava a não publicação de notícias sobre escutas feitas no âmbito do processo Face Oculta que o envolvam.
Contudo, a edição de hoje do semanário Sol volta a transcrever extratos do despacho do procurador João Marques Vidal, responsável pelo caso Face Oculta, em que considera haver "indícios muito fortes" do envolvimento do Governo, "nomeadamente o primeiro ministro", num plano de controlo de vários meios de Comunicação Social, além da TVI.
Reiterando que não se pronuncia sobre “questões de Justiça”, Mota Soares recusou igualmente responder se o primeiro ministro tem condições para se manter no cargo.
Para o CDS-PP, no momento, a “questão essencial” é saber se José Sócrates tinha ou não conhecimento do negócio da TVI no dia em que foi sobre isso questionado pela bancada democrata cristã no Parlamento, a 24 de junho.
“Esta é uma questão política”, acentuou, defendendo o “esclarecimento cabal e integral” do assunto.
Hoje, o deputado do CDS-PP Ribeiro e Castro já tinha defendido a “maior urgência” no agendamento da audição parlamentar do presidente da PT, Henrique Granadeiro, apontando declarações “contraditórias” sobre a data precisa em que o administrador terá falado com o primeiro ministro sobre o negócio da TVI.
A edição de hoje do semanário Sol volta a transcrever extratos do despacho do procurador João Marques Vidal, responsável pelo caso Face Oculta, em que considera haver "indícios muito fortes" do envolvimento do Governo, "nomeadamente o primeiro ministro", num plano de controlo de vários meios de Comunicação Social, além da TVI.
Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, dois administradores da mesma empresa e o proprietário da Controlinveste, Joaquim Oliveira.
No âmbito do processo Face Oculta, que investiga alegados casos de corrupção relacionados com empresas privadas e do sector empresarial do Estado, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, que suspendeu as suas funções de vice-presidente do BCP, e Paulo Penedos.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




Rating: 0.0
Actividade em ionline