Os comboios da Eurostar estavam mal preparados para um inverno rigoroso e os planos de emergência para ajudar os passageiros eram insuficientes, refere um relatório hoje divulgado sobre as avarias da companhia ferroviária registadas em dezembro.
A comissão de inquérito, criada pela própria Eurostar após as avarias que deixaram bloqueados mais de 2000 passageiros no túnel sob o Canal da Mancha, na noite de 18 para 19 de dezembro, concluiu que os «comboios da Eurostar não foram suficientemente preparados para suportar as condições invernais e que os procedimentos de manutenção devem ser revistos».
Apesar de considerar que a retirada dos passageiros decorreu «de modo seguro e eficaz», a comissão afirmou que os planos de emergência para ajudar os passageiros em caso de acidente «eram insuficientes» e que «os dispositivos de informação nas estações, através dos centros de informações por telefone e no sítio na Internet não eram satisfatórios».
A comissão fez uma série de recomendações à empresa ferroviária, da qual a Sociedade dos Caminhos de Ferro Franceses (SNCF) é a principal acionista, destinadas principalmente a melhorar a fiabilidade dos comboios e a rever os procedimentos de evacuação em caso de avaria nas composições.
O relatório aconselha também uma melhor comunicação de crise com a Eurotunnel (empresa que explora o túnel sob a Mancha) e um reforço dos procedimentos de gestão das interrupções do tráfego para limitar os problemas junto dos passageiros.
Na noite de 18 para 19 de dezembro, cinco comboios Eurostar ficaram bloqueados no túnel devido a uma série de avarias relacionadas com o mau tempo. Mais de 2000 pessoas ficaram presas, sem água, alimentos ou informação, e demoraram cerca de 16 horas para concluir a viagem.
Outros comboios ficaram também bloqueados no exterior, nos dois lados do túnel, e dezenas de milhares de passageiros foram afectados pela supressão de todos os comboios nos dias seguintes.
A comissão de inquérito, confiada a dois peritos independentes, o britânico Christopher Garnett e o francês Claude Gressier, foi lançada a 21 de dezembro pela Eurostar para analisar os incidentes, com o aval dos governos de França e do Reino Unido.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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