Especialista BD
Thomas Nast: ver e ler
por Cristóvão Gomes, Publicado em 12 de Fevereiro de 2010
Que a história da BD nos Estados Unidos está ligada aos jornais já todos sabemos, mas a razão que levou a que a BD surgisse nos jornais, essa está ligada a um dos maiores preconceitos que ainda hoje a prejudicam: o analfabetismo. Thomas Nast chegou a Nova Iorque ia o século xix a meio. Levava consigo um feitio difícil e um talento invulgar para o desenho. A sua colaboração com a florescente imprensa americana encheu o imaginário americano. Ilustrava os editoriais, permitindo a quem não sabia ler compreender o que se escrevia. Foi tão grande o impacto das suas ilustrações que, durante a Guerra da Secessão, o presidente Lincoln lhe chamou-lhe a melhor fonte de recrutas. Por essa altura Nova Iorque estava nas mãos de uma máfia que controlava a câmara: o Tweed Ring, liderado pelo sinistro Boss Tweed. Nast iniciou uma campanha contra este estado de coisas. Desenho atrás de desenho, denunciou as práticas do grupo. O labor teve um resultado inesperado, a oferta de um suborno de 500 mil dólares. Recusou e continuou a campanha, que havia de determinar a prisão do grupo e as célebres palavras de Tweed: "Parem o raio das imagens! Não me interessa o que os jornais escrevem, os eleitores não sabem ler. Mas, raios, sabem ver as imagens." Tweed conseguiu fugir para Espanha, onde seria capturado porque um guarda o reconheceu num desenho de Nast. Com um senão: como a ilustração mostrava Tweed com uma criança, o polícia pensou que abusava de menores. Sabia ver, mas não sabia ler. O cartune nasceu assim.
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Artigo: Thomas Nast: ver e ler
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