Mundial de ralis-2010

Marcus Gronholm. "Encontrei nome para o meu restaurante no Rali da Suécia"

Publicado em 12 de Fevereiro de 2010   
O finlandês estava tranquilo a tratar da carne e do peixe mas não podia ficar fora da prova favorita do Mundial. Aí está o mundial 2010
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Rali da Suécia, 2004. Marcus Gronholm acelera num manto branco de neve, as árvores de um lado e outro servem de referência e ajudam a perceber que aquilo é uma estrada. O Peugeot começa a deslizar, entra em pião, bate de frente, volta a ficar apontado à pista e o piloto finlandês continua como se nada tivesse acontecido. Há uma gargalhada dentro do carro, brinca com a dificuldade, este é o seu terreno.

Gronholm não ganhou esta prova mas mesmo assim ficou em segundo, na única vez que um piloto não nórdico conquistou a vitória. Foi o francês Sebastien Loeb que venceu e se tornou uma excepção histórica (60 anos); ele próprio ainda não percebeu se ama ou odeia aquele frio, a neve e o gelo.

A paixão só é certa para Gronholm, que começou a guiar nos lagos gelados da Finlândia e foi ali ao lado ganhar cinco vezes um dos mais difíceis ralis do mundo. Agora, com 42 anos e já retirado, a Ford contratou-o por um fim-de-semana. Não é brincadeira, o bicampeão do mundo (2000 e 2003) está inscrito para marcar pontos no Mundial de construtores, ainda é considerado um dos maiores especialistas nestas condições. Depois de abandonar o Mundial, em 2007, tinha regressado no Rali de Portugal do ano passado. "É claro que voltarei a guiar sempre que tiver uma oportunidade", disse na altura ao i. Pois esta, a primeira prova do Mundial 2010, caiu que nem ginjas.

Na segunda-feira, ao telefone da Suécia e acabado de chegar ao hotel após um dia de testes, o veterano Gronholm mostrou o mesmo entusiasmo de sempre.


Boa tarde Marcus. Não resistiu, não podia mesmo ficar fora do Rali da Suécia.
É verdade, não podia ficar em casa. [risos] Sabe como é, os ralis ficam-nos sempre na cabeça e no meu caso a Suécia é muito especial. Convidaram-me e surgiu esta oportunidade de competir num carro bastante bom [Ford]. Vamos lá ver o que acontece.

E o ritmo? Aos 42 anos o corpo não se nega?
Vamos lá ver, não tenho feito grande coisa nos últimos tempos, só em Janeiro é que me preparei melhor [ganhou a categoria de produção num rali na Noruega]. Mas com o início da competição as coisas vão ao sítio.

Malcolm Wilson, o patrão da Ford, disse que mesmo não estando na melhor forma não tem dúvidas de que você pode acabar no pódio ?
Pois... estamos a apontar para isso, convém é não esquecer que há concorrência. Sinceramente acho que posso rodar próximo dos melhores, gosto muito destas condições.

Mas é mesmo o seu rali preferido?
Sim, pelas condições e porque se tornou especial na minha carreira. A minha primeira vitória no Mundial foi em 2000, precisamente na Suécia. Comecei o ano a ganhar e depois acabei por ser campeão do mundo pela primeira vez.

De resto, ganhou a Suécia cinco vezes. Só lhe faltava igualar o número de vitórias de Stig Blomqvist (sete). Explique lá aos portugueses, habituados aos troços de terra com muito pó, o que tem isso de especial.
Bom... para nós isto é o normal. Crescemos no meio da neve ou do gelo. As pessoas podem pensar que é um rali demasiado escorregadio mas é tudo uma questão de tracção, de aderência. E hoje em dia a tecnologia, os pneus e as suspensões já nos permitem níveis de aderência que chegam a ser impressionantes. Depois temos de adaptar um pouco o estilo de condução - deslizamos mais, dá muito gozo.

Este ano Kimi Raikkonen entra no Mundial de ralis. Tudo bem, é finlandês, mas fez a escola nas pistas de alcatrão. Que tem visto dele? Vai conseguir adaptar- -se apesar dos vícios da Fórmula 1?
Acho que não tem estado nada mal. No ano passado, no rali da Finlândia, andou muito próximo do ritmo dos melhores pilotos na categoria em que estava inscrito. Agora precisa de tempo. Seja como for, a chegada do Kimi tem ajudado a dar muita visibilidade ao campeonato. A publicidade está a ser boa.

São amigos?
Temos falado algumas vezes, ele fez-me perguntas, está bastante empolgado com esta coisa dos ralis.

Pediu-lhe dicas?
Não... [gargalhada] Falámos de algumas coisas, mas sabe como é, ele um rapaz que sabe o que quer.

Voltando à sua paixão pela Suécia: é verdade que tem um restaurante chamado Sagen, com o mesmo nome de uma especial desse rali?
Pois é! [desata a rir] Encontrei nome para o meu restaurante no Rali da Suécia. Sempre gostei dessa etapa, Sagen, especialmente quando tinha muita neve. Adorava, fazia sempre grandes tempos. Então se estivesse mau tempo!

Mau tempo. Portanto o ideal é estar sempre mau tempo?
Sim, com mais frio, para a neve não derreter e não haver lama, buracos e pedras.

Quantos graus estão aí agora?
Está bom, estão 11 graus negativos. Está tudo branco e a previsão é de muita neve, o que é excelente. Acho que vou ter um bom rali.

E o que se come no seu restaurante?
Carne, peixe e uns pratos de comida italiana.


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