Casamento homossexual foi "demasiado politizado" e não serve interesses dos homossexuais

Publicado em 11 de Fevereiro de 2010   
Opções
a- / a+

O padre jesuíta Carlos Carneiro afirmou hoje que o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi “demasiado politizado” e não é a melhor forma de assegurar os interesses dos homossexuais, grupo que a Igreja “respeita e acolhe”.

“A Igreja deve e acolhe-os, não há aqui perseguição a nenhum grupo. Não é contra a união civil dos homossexuais, acha é que a fórmula encontrada não é a que promove melhor as suas pretensões”, declarou Carlos Carneiro à agência Lusa, a propósito do Colóquio Nacional de Paróquias, que começa sexta feira em Coimbra.

Ao considerar que a questão foi “demasiado politizada”, o responsável pela formação dos futuros jesuítas em Portugal defende que “deve ser encontrada uma lei que assegure os direitos civis” dos homossexuais.

“O casamento (entre pessoas do mesmo sexo) cria outra dificuldade, que julgo que os homossexuais também não querem, que é a tal confusão sobre o que é afinal o casamento”, disse.

Para muitas pessoas, insistiu o também coordenador da Pastoral da Juventude dos Jesuítas em Portugal, “o casamento é uma coisa retrógrada”.

“É muito caricato que quem não quer assumir um compromisso desta natureza o promova para os outros”, observou, considerando que a igualdade “não pode ser um igualitarismo”, sendo “difícil o equilíbrio entre o respeito pela igualdade e a consagração da diferença”.

Para o padre jesuíta, a paróquia “tem de respeitar as pessoas na sua diferença” e hoje “tem uma abertura à pluralidade de pessoas, com culturas e experiências religiosas diversificadas”, mas deve assumir um “papel mais ativo no anúncio da fé”.

“Ser menos capelinha e mais igreja, a paróquia católica tem de ser mesmo católica, para todos, ser sobretudo propositiva, apresentar com alegria e coerência uma proposta, e essa proposta é à liberdade das pessoas, não tem de andar a conquistar fiéis”, considerou o jesuíta.

Hoje, “o que se pede à paróquia é que ela vá ter com as pessoas, que tenha dinamismo capaz de chegar a todos, crentes ou não, muito ou pouco praticantes”, sustentou.

Não deixar à paróquia “um trabalho meramente espiritual nem quase concorrencial como o Estado” é o desafio que Carlos Carneiro irá lançar no colóquio, no qual proporá a “promoção da justiça enquanto uma das dimensões da alegria de anunciar o Evangelho”.

Saber como cativar as pessoas que estão satisfeitas e bem na vida para as questões da fé é, na opinião do padre João Castelhano, da Paróquia de S. José, em Coimbra, “o problema mais difícil” com que a Igreja se defronta hoje.

“Se as pessoas se sentem satisfeitas com a sua vida, o emprego, o ordenado, a casa, a família, não passam além disso, não têm outro tipo de interesses. Este é o problema mais difícil (da Igreja): como sensibilizar para a transcendência, a eternidade, pessoas que não mostram necessidade de tratar desses assuntos”, considerou.

Com a falta de padres, “há muito trabalho que pode ser feito por leigos, nomeadamente na transmissão da fé”, disse João Castelhano, adiantando que o colóquio das paróquias visa encontrar formas de “ajudar os leigos a compreender a sua missão”.

No colóquio, que termina sábado, serão abordadas várias experiências de transmissão de fé.

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close