Dois patrimónios mundiais. Mandela e a Cinderela das prisões - vídeo

por Diana Garrido, Publicado em 11 de Fevereiro de 2010   
Mandela saiu em liberdade há 20 anos. Um ícone, como Robben Island, onde passou 24 anos
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É histórico: no dia 11 de Fevereiro de 1990 Nelson Mandela saiu da prisão de Victor Verster, depois de 27 anos encarcerado. Mas a cadeia que fica para a história não é aquela em que passou apenas três anos. É a de Robben Island, onde chegou em 1962 com uma condenação de cinco anos, transformada em sentença perpétua dois anos mais tarde. Nessa altura Mandela estava longe de imaginar que a ilha e a prisão de máxima segurança onde viveu 24 anos em cativeiro se transformariam em local turístico, a Cinderela das prisões.

A verdade é que desde 1997 que Robben Island funciona como museu, tendo sido considerada Património Mundial pela Unesco, em 1999. Depois de mais de 300 anos a funcionar como prisão e como hospital de leprosos (em 1800), Robben Island transformou-se em lugar de peregrinação para aqueles que nunca deixaram de acreditar em Mandela e na África pacífica que nunca desistiu de sonhar.

Para chegar à ilha de 13,5 quilómetros quadrados é preciso apanhar o ferry na doca Nelson Mandela, na Cidade do Cabo. O museu está aberto ao público e a visita guiada dura três horas e meia, com a possibilidade de conversar com um ex-preso político. Para além disso, a prisão tem várias exposições permanentes de entrada gratuita.

Hoje, 20 anos depois de ter sido libertado, Mandela recebe em sua casa Christo Brand, um dos guardas prisionais encarregado de o vigiar, entre 1978 e 1987.

Segundo Brand, assim que chegou a Robben Island foi-lhe dito "que aqueles prisioneiros não passavam de animais". No entanto, rapidamente percebeu que os presos políticos "eram muito mais educados e simpáticos do que qualquer outro prisioneiro". Brand tornou-se responsável pelos estudos de Mandela e de vários prisioneiros: "Ele estava determinado a transformar Robben Island numa universidade. Dizia que enquanto estivessem vivos não poderiam tirar-lhes a educação." Christo Brand largou a profissão de guarda e trabalha no museu que um dia foi uma das prisões mais seguras e cruéis da África do Sul.


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