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Sonae a caminho de Angola, pela mão de Isabel dos Santos

por Isabel Cristina Costa, Publicado em 11 de Fevereiro de 2010   
A holding prepara a entrada dos hipermercados Continente em Angola. E quer criar um Clube de Produtores no país
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"Hello tomorrow" (olá amanhã, traduzido à letra) é mais do que o mote da campanha da nova marca institucional da Sonae, apresentada ontem, no Palácio das Artes, no Porto. Significa também um novo mundo de oportunidades para a Sonae, que está a estudar a internacionalização do negócio da distribuição, logística e promoção da agricultura para Angola com um parceiro chamado Isabel dos Santos, filha do presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

"Apercebemo-nos de que havia uma vontade grande de modernizar toda a distribuição em Angola e começámos a estudar isso. Temos um bom parceiro, a engenheira Isabel dos Santos, é com ela que estamos a estudar", revelou ao i Paulo Azevedo.

Sem querer adiantar muito mais, o CEO da Sonae explicou que o estudo económico está quase pronto e a decisão virá depois: "Angola não estava nos nossos planos, mas confesso que é muito interessante."

Para que não se repita a má experiência do Brasil, a Sonae só entrará em Angola quando tiver a certeza de que há "vontade real e política" para que "uma empresa como a Sonae, com as características da Sonae, funcione em Angola". Além dos hipermercados Continente, a Sonae também pondera criar uma espécie de Clube de Produtores, à imagem do que acontece em Portugal.

A distribuição "é um sector onde não queremos estar a não ser que sejamos muito queridos lá (em Angola), porque é um investimento de muito longo prazo, é um compromisso muito grande com a população, com os produtores, e se quisermos com este governo. Não pode ser de outra forma", concluiu Paulo Azevedo.

Na apresentação da nova marca institucional - a cargo da Ivity de Carlos Coelho e que implicará um investimento total de 700 mil euros -, o CEO da Sonae sublinhou que será dada prioridade à internacionalização, que passará pela "diversificação do estilo de investimento". Paulo Azevedo fala de franquias e de joint-ventures, que podem significar parcerias minoritárias.

"Não temos neste momento nenhuma decisão de um país. Estamos a estudar muitos países", atirou, para depois completar: "Vamos franquiar fora dos mercados onde estamos presentes." A presença de alguns dos formatos da Sonae no país vizinho deu-lhe visibilidade e chamou a atenção de interessados, "dos Emirados, de países muito diferentes".

Ou seja, não é crise económica que vai travar os ímpetos expansionistas da Sonae, que ontem deu "o primeiro passo" num processo em que estende o core business a novas áreas de negócio. "É agora a altura de reafirmar a marca", atirou Paulo Azevedo. E as três camadas de círculos usadas para escrever Sonae dão uma imagem "especialmente adaptada à diversidade de negócios e geografias que há no grupo".

"Hello tomorrow" foi também o título da mensagem enviada aos 38 mil colaboradores da Sonae, dentro e fora de Portugal. A nova marca, onde o círculo é "an expanding dimension", foi adaptada aos vários negócios. E novos valores foram introduzidos - como o da abertura. "A Sonae é conhecida por querer mandar em tudo", mas sempre esteve aberta ao exterior, incluindo a "todos os partidos políticos que nos pedem opinião. Há vontade de ser cada vez mais assim", disse Paulo Azevedo na "primeira apresentação de uma marca em toda a carreira".



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