A geração confiscada
por Bernardo Pires de Lima, Publicado em 11 de Fevereiro de 2010
Cumprem-se hoje 31 anos do nascimento da República Islâmica do Irão. Feita contra a ocidentalização que diziam sofrer - "uma praga que devia ser eliminada" - e em nome da pureza ideológica islâmica, emergiu a teocracia que conhecemos. Este dia vem sendo celebrado nas ruas de Teerão com slogans anti-ocidentais. Hoje, muitos milhares estão nessas mesmas ruas insurgindo-se contra as elites teocráticas que apoiam um presidente que não legitimam. A divisão continua clara: a defesa das liberdades individuais (ocidentais ou universais?) e os herdeiros directos da teocracia islâmica.
Ao contrário do que acalentou o aiatola Khomeini, esta "geração verde" cresceu próxima do Ocidente: nos hábitos de consumo, no uso voraz da internet e dos telemóveis, na atenção ao mundo, fruto da sua educação académica. Quando as elites no poder apertaram o cerco às manifestações perceberam por onde teriam de ir: bloqueando as tecnologias de informação, provocando o medo nas ruas com as suas brigadas à paisana, prendendo sem critério, apontando o dedo ao exterior e fechando-se em volta da sua revolução. Isto deixou de ser respirável a quem é sensível às liberdades. Assim está o Irão, 31 anos depois da Revolução Islâmica. Aqui, sim, a liberdade de expressão é um bem ameaçado e o estado de direito parece próximo da ficção.
Investigador universitário
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Artigo: A geração confiscada
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