A França não pára de rir. O filósofo pop, vedeta televisiva e das revistas cor-de-rosa, Bernard Henry-Lévy, caiu numa esparrela. E fê-lo à sua maneira - com estrondo.
No último livro, "De La Guerre En Philosophie", o intelectual atacou um dos monstros sagrados da filosofia, o alemão Emmanuel Kant (1724-1804). Chamou-lhe, sem meias palavras, "doido varrido". Um filósofo francês pouco conhecido provara-o nas conferências aos "neo-kantianos do Paraguai", escreveu. Jean-Baptiste Botul (1896-1947) - a tal revelação - mostrara de uma vez por todas que o alemão, famoso entre outras coisas pelo ascetismo e pontualidade, era "uma farsa abstracta, um puro espírito de pura aparência".
Por si só, as afirmações seriam polémicas. Nada a que Henry-Lévy não estivesse habituado. Ainda por cima, a acusação baseava-se na obra de um outro filósofo - mais uma razão para estar descansado. Certo? Errado. Teria bastado ao intelectual francês uma rápida busca na Internet para perceber que Jean-Baptiste Botul, autor de "A Vida Sexual de Emmanuel Kant" (1995) e pai do "botulismo", é um personagem fictício criado pelo jornalista Frederic Pagés.
"Diz muito sobre os seus métodos de trabalho", reagiu o criador em entrevista ao jornal francês "L'Express". "Provavelmente nem leu o livro que cita. Mas devo reconhecer que reagiu com uma certa elegância." Ou com uma verdadeira pega de caras. Esta segunda-feira, o intelectual francês reconhecia o erro e publicava no site pessoal uma crónica intitulada "Viva Jean-Baptiste Botul!". "Deixei-me apanhar, como era suposto", assume, para argumentar logo a seguir, "antes de mim, os críticos que recensearam o livro quando saiu".
Botul no facebook
A França tem com Henry-Lévy uma relação de amor-ódio. São-lhe atribuídas tiradas como "Deus está morto mas o meu cabelo é perfeito" e, qualquer coisa como, "quem vota em Le Pen não pode comprar móveis Philip Starck", conta o "The Guardian". Por isso não admira que Jean-Baptiste Botul já tenha 1444 fãs e 171 amigos no Facebook. Até já há quem afirme que o filósofo superstar foi vítima de uma "crise de botulismo".
Frederic Pagés avança que Henry-Lévy é bem-vindo entre os amigos da sua criação. "Este não é o fim de Botul. A Associação de Amigos de Jean-Baptiste Botul não se pronuncia sobre a sua existência. Pode ser até que se descubra um novo manuscrito."




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