Sócrates: "Não me importo nada de reduzir o meu salário"

Publicado em 10 de Fevereiro de 2010   
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O CDS sugeriu hoje ao governo que corte nos salários dos ministros, gestores públicos e dirigentes autárquicos, propondo ainda a suspensão do 13º mês para os deputados da Assembleia da República e dos membros dos governo. As medidas serviriam para restaurar a "autoridade da política" no actual momento de crise e sacrifícios, defendeu Paulo Portas, líder do CDS. O primeiro-ministro começou por aceitar ironicamente a proposta, para mais tarde rejeitar a viabilização da proposta, que considerou populista.
"Não me importo nada de reduzir o meu salário. Não contará com a minha oposição. Tenho o maior gosto de contribuir com o meu 13º mês", afirmou José Sócrates no parlamento, no debate sobre o Orçamento do Estado para 2010. O chefe de governo apontou, contudo, que "isso não resolve o problema". "Não estou de acordo com medidas que apenas têm efeitos morais", indicou Sócrates, para quem a proposta do CDS serve sobretudo "para ganhar votos".
Minutos antes Paulo Portas tinha recordado que o próprio ministro das Finanças tinha admitido (numa entrevista à SIC) que se fosse preciso reduzira o seu salário. "Porque é que o ministro das Finanças é sensato e o CDS demagógico?", questionou o lider do CDS. A medida resultaria numa poupança "de cinco a seis milhões" de euros, um sinal num ano de congelamento salarial no Estado, indicou Portas.
Mais à frente no debate, Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, atacou a ideia da suspensão do 13º mês, posta em prática nos anos 80 em Portugal. "Eu bem sei o que virá por aí", criticou Louçã, que considera a medida o início de um novo ataque salarial aos trabalhadores. Sócrates respondeu que a ideia é do CDS e pôs fim ao tema, recuando na intenção de aprovar uma eventual proposta centrista: "Não vai acontecer".


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