ETA reorganiza a logística. Portugal e Norte de França na mira

Publicado em 10 de Fevereiro de 2010   
Carrinha alugada em França e apreendida em Espanha dirigia-se a Óbidos. Polícia espanhola continua a investigar presença da ETA em território português
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As operações conjuntas em França e o consequente desmantelamento de redes da ETA levaram os operacionais a virarem-se para dois locais: Portugal e Norte de França. Fruto dessa reorganização são precisamente os recentes acontecimentos. A carrinha apreendida em Zamora com material explosivo no início do ano vinha para Óbidos e foi alugada em Macon, já perto da fronteira com a Suíça.

Há vários anos que o governo português tem deixado para segundo plano a questão da presença da ETA no país - até porque as bases logísticas estavam instaladas sobretudo no País Basco francês. As equipas conjuntas de investigação nunca chegaram a avançar, mas a recente visibilidade do caso de Óbidos voltou a acordar o problema - também no interior da própria Polícia Judiciária (PJ).

Fontes contactadas pelo i revelam que as prioridades da investigação da PJ não têm estado direccionadas para a questão da ETA. Prova disso, é a quantidade reduzida de efectivos ligados às investigações de terrorismo.

Perigo para Portugal Portugal nunca foi um alvo terrorista, nem mesmo com a eventualidade de aqui existirem bases da ETA. À semelhança de França, os operacionais da organização terrorista em Portugal sempre evitaram conflitos directos com as autoridades. A resposta violenta às operações policiais nos dois países é considerada pelos investigadores como muito pouco provável. De resto, fontes contactadas pelo i, referem que não há qualquer indicação de alvos em Portugal. E também não é expectável que instituições ou dirigentes espanhóis alguma vez sejam alvo de atentados cá.

Para alguns responsáveis contactados pelo i, em Portugal, as autoridades têm tido outras prioridades na investigação - que passam sobretudo pelo crime violento e tráfico de droga e de armas. No entanto, garantem, num caso como o de Óbidos, com a dimensão que atingiu, não falta quem queira ficar com uma fatia: a Polícia Judiciária continua a querer manter o controlo das actividades terroristas ou de apoio a terroristas - e mantém-no de facto, até por força da lei.

A GNR, também face às excelentes relações que mantém com a Guardia Civil espanhola, tem actuado no caso, o que já levantou algumas objecções da PJ. Por último, os Serviços de Informação de Segurança (SIS) que tentam estar por dentro do fenómeno, deixando frequentemente no ar a questão da falta de competências de investigação.

Vice-versa Que entram polícias em Portugal e portugueses em Espanha todos sabem, mas ninguém admite. Uma fonte contactada pelo i referiu que, em muitos casos, há elementos da polícia de investigação semelhante à PJ que se deslocam a Portugal com ou sem o conhecimento das autoridades. Há mesmo relatos de operações rodoviárias da GNR que se deparam com espanhóis que se identificam como pertencendo a forças de segurança e seguem caminho. E há casos em que a GNR sabia das deslocações, enquanto noutras viagens apenas a PJ tinha conhecimento.

O que parece certo é que raramente são informações que circulem para além de círculos restritos ou muito limitados. Por outro lado, e mais importante do que estas incursões nos dois territórios, há muito que a PJ colabora com a sua congénere espanhola em inúmeras investigações. As colaborações nem sempre são visíveis nos processos elaborados por ambas as polícias.

Secretas à parte No que diz respeito aos serviços de informação, quer o (CNI - Centro Nacional de Inteligencia) quer o Serviço de Informações de Segurança, raramente dão conta de qualquer operação, seja a quem for. Uma fonte contactada garantiu mesmo ao i que o actual director-geral do SIS, Antero Luís, está permanentemente - e particularmente - preocupado em evitar qualquer exposição pública dos serviços. Sabe-se que os agentes do CNI passam por Portugal e há quem avance que esta última apreensão de explosivos é a prova de que houve "mão" espanhola no processo.







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