"Se as condições se mantiverem, os spreads vão ter de aumentar"

por Bárbara Barroso, Publicado em 10 de Fevereiro de 2010   
Para o presidente do Santander Totta, a subida dos juros e o refinanciamento da dívida são factores de pressão para 2010
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Os banqueiros avisam e cada vez mais parece inevitável: os empréstimos podem ficar mais caros. A ideia foi ontem reforçada pelo presidente do Santander Totta na apresentação de resultados da instituição financeira. Nuno Amado adiantou que "se as condições se mantiverem os spreads vão aumentar".

O cenário já tinha sido apresentado em entrevistas à RTP pelo presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), António de Sousa, que admitiu a possibilidade de o aumento dos spreads ser de 0,5% ou mais e ocorrer ainda este mês. Na segunda-feira, o presidente do BPI, Fernando Ülrich, e José Maria Ricciardi, do BES Investimentos, admitiram o mesmo cenário.

Portugal continua colado ao grupo de países com economias deprimidas e falta de capacidade política para corrigir as contas públicas, o que tem levado a uma pressão dos títulos de dívida pública, e consequentemente a um aumento dos custos de financiamento.

O presidente do Santander Totta destacou, no entanto, o facto de a subida do spread, a ocorrer, se verificar apenas nos novos empréstimos - uma vez que os spreads nos stocks de crédito estão fixados até ao fim do contrato -, além de ser acompanhada pela subida dos juros pagos pelos depósitos a clientes.

Os alertas deixados recentemente a Portugal pelas agências de rating contribuíram para a pressão sobre a dívida nacional. No entanto, para Nuno Amado, Portugal não deve criticar estas entidades. Pelo contrário: "Portugal deve manter o diálogo com as agências de rating para melhorar o que há a melhorar. É um erro não o fazermos." O responsável do Totta acrescentou ainda que as agências de rating "têm uma função muito relevante, a que devemos dar a máxima importância, como entidades avaliadoras independentes". E reforçou que apenas "era importante que errassem menos do que no passado".

Relativamente à proposta do Orçamento do Estado de tributação em 50% dos prémios dos gestores, Nuno Amado criticou a diferenciação entre sectores, relembrando que, de um modo geral, "a banca não teve nenhum apoio público, soube ultrapassar a crise e continuou a financiar a economia". Ainda assim, o banqueiro garantiu que vai "cumprir a lei e não a discutirá".

Resultados 2009 O lucro do Santander Totta ascendeu a 523,3 milhões de euros em 2009, o que representa um aumento de 1,1% em relação ao ano anterior. O resultado é justificado pelo aumento dos proveitos - o produto bancário recorrente cresceu 4,8% -, o que permitiu compensar a quebra de 2,4% das comissões.

O Santander Totta aproveitou ainda 2009 para reforçar as suas provisões em mais de 109 milhões de euros em termos brutos, parte dos quais financiados pela mais-valia de 28 milhões resultante da redução da exposição do Banco Totta Angola.


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