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Trabalhadores voltam às ruas: 4 de Março é dia de greve
por Nuno Aguiar, Publicado em 10 de Fevereiro de 2010
Governo manteve-se inflexível em relação ao congelamento salarial dos trabalhadores do Estado
É o regresso à contestação social que marcou o primeiro mandato do governo de Sócrates. A Frente Comum anunciou ontem uma greve geral da função pública para 4 Março, em reacção ao congelamento de salários dos trabalhadores do Estado, uma decisão de que o governo não está disposto a abdicar.
No dia em que Ministério das Finanças e sindicatos da função pública se sentaram à mesma mesa para negociar as alterações salariais, os representantes dos trabalhadores do Estado não saíram nada contentes com os resultados. A Frente Comum (afecta à CGTP), que tinha proposto um aumento de 4%, não perdeu tempo. "A cimeira dos sindicatos da administração pública da Frente Comum reuniu e decidiu uma greve nacional dia 4 de Março e uma grande manifestação no final de Maio ou princípio de Junho", afirmou Ana Avoila à saída da reunião. "Este governo continua prepotente e não negoceia. Vai ser um ano de luta muito forte, se este governo não cair entretanto."
Durante os dias que se sucederam à apresentação do Orçamento do Estado para 2010, Teixeira dos Santos foi bastante claro ao dizer que não existiriam aumentos salariais para a função pública, uma decisão negociada inclusivamente com outros partidos da oposição. A inflexibilidade com que o governo se apresentou para estas negociações não surpreendeu portanto os sindicatos.
"Não houve surpresas. O governo mostrou-se intransigente", revelou ao i Nobre dos Santos, da Frente Sindical da Administração Pública (ligada à UGT), que mantém esperança num entendimento. "O governo admite discutir os salários e as aposentações mais à frente durante as negociações. Agora vamos reunir, mas não excluímos nenhuma forma de luta."
Sobre a possibilidade de a Fesap se juntar à Frente Comum na greve anunciada para 4 de Março, Nobre dos Santos não consegue responder para já. "Depois de termos manifestado abertura negocial, a Frente Comum avançou unilateralmente. Agora vamos ver qual a posição dos sindicatos da Fesap."
Por enquanto, a possibilidade de compromisso entre sindicatos parece frágil. O avanço isolado da Frente Comum deixou a Fesap relutante em juntar-se à acção de luta, um impasse que não é novidade quando se fala de contestação dos trabalhadores da função pública.
Contactados, os secretários-gerais da UGT e da CGTP não se quiseram comprometer com um apoio mais alargado à greve da Frente Comum. João Proença disse apenas que "o congelamento de salários é inaceitável", enquanto Carvalho da Silva recusou "especular sobre greves futuras".
As negociações com o governo continuam até dia 10 de Março, dois dias antes da votação geral do Orçamento. A Frente Comum pode optar por adiar a greve para depois da aprovação, tentando obter um maior consenso entre os outros sindicatos e receber maior atenção mediática.
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