Dizia Confúcio que as crianças deixam de o ser no dia em que começam a fazer perguntas que têm respostas. E é bem verdade. Ainda não cheguei a essa fase, mas enquanto não chego entretenho-me a brincar aos filósofos, em jogos em que eu sou Platão, os meus filhos os discípulos e os diálogos inventamos nós.
Diariamente a horas absolutamente inacreditáveis, eles testam os meus conhecimentos e querem que eu divulgue toda a informação confidencial eu tenha sobre a morte, Deus, o Diabo e outros temas ligeiros.
Mais tarde ou mais cedo todos passam por esta fase sufocante, de que saem absolutamente ignorantes, diga-se, e partem para outra não menos estranha: como dar a volta aos assuntos e resolver os problemas. Então divagam sobre a forma como vão fugir de Deus e da morte pela casa toda, como vão explorar o espaço quando forem estrelas e ensaiam a tareia que um dia vão dar ao Diabo. À noite choram porque têm medo de ficar sozinhos com o anjo-da-guarda.
Para tudo isto, estava mais ou menos preparada, mas para a pergunta de ontem não: "Onde é que eu estava antes de nascer?" No céu, em lado nenhum, no espaço? Não sei. Por isso respondi o óbvio: a avó deve saber, esse Google das crianças. É que a minha mãe sabe tudo.
Jornalista




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