Lançada petição contra campo de treinos para caças norte-americanos na Base das Lajes

Publicado em 09 de Fevereiro de 2010   
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A jornalista e ex-deputada do PSD na Assembleia da República, Judite Jorge, lançou segunda feira uma petição pública na Internet contra “o treino de caças norte-americanos na Base das Lajes”.

“Na prática, está em causa a possibilidade do espaço aéreo dos Açores se transformar num enorme campo de treino militar para aviões F-22 e F-35 de última geração, equipados com mísseis hipersónicos”, refere o texto da petição, que pode ser consultada e assinada aqui.

Para os subscritores, a aprovação deste campo de treinos será “mais uma cedência à máquina militar dos EUA, sem qualquer contrapartida, em sacrifício dos interesses nacionais e do bem-estar e segurança das populações”.

“Mais uma vez estão a ser tomadas importantes decisões nas nossas costas. Chegou a altura de intervir e dizer BASTA!", acrescenta o documento.

Pierre Sousa Lima, segundo subscritor da petição, disse hoje à Lusa que “não está em causa a importância da Base das Lajes, quer pelos postos de trabalho, quer para a economia regional”.

“Não é também nenhum movimento antiamericano”, assegurou, acrescentando que o problema reside “em quererem 257 mil quilómetros quadrados, o que é demasiado e põe em risco toda a região”.

Nesse sentido, defendeu que se trata de “uma matéria que diz respeito a toda a população dos Açores”, que “não pode nem deve aceitar tudo o que os norte-americanos impõem”.

A petição é dirigida ao Ministério da Defesa, Assembleia da República, Assembleia Regional dos Açores e Governo Regional dos Açores.

Em março de 2009, Mora de Oliveira, comandante do Comando Aéreo dos Açores, confirmou em entrevista à Lusa “ser exequível a criação de um campo de treinos para aviões F-22 norte-americanos nas Lajes”.

Mora de Oliveira revelou, na altura, que estava a ser avaliado o impacto que pode ter "na aviação comercial e em terra, junto das populações, com o aumento de tráfego de aviões militares”.

Em meados de janeiro, a Comissão Bilateral Permanente Portugal/EUA, que reuniu em Washington, não se pronunciou sobre a eventual utilização da Base das Lajes para treino de caças norte-americanos, já que continua a aguardar o relatório técnico que permitirá o debate político sobre esta questão.

A Lusa tentou hoje obter um comentário do Ministério da Defesa, mas ainda não foi possível até ao momento.

A Base das Lajes, que ocupa uma área com cerca de 500 hectares e possui uma pista principal com cerca de 4000 metros, integra 333 militares e 118 civis portugueses, enquanto o destacamento norte-americano ali instalado é composto por 689 militares, 77 civis e 997 familiares, empregando ainda 777 portugueses em várias funções e serviços.

 



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