Carros elétricos: É "disparate" o aumento das emissões poluentes

Publicado em 08 de Fevereiro de 2010   
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O Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) do Porto considerou hoje um "disparate" e um "absurdo completo" um estudo que defende que a circulação de automóveis elétricos aumenta a emissão de gases poluentes.

"Portugal, mesmo que não tivesse energia eólica, só com a transferência de veículos de transporte com motores de combustão interna para veículos elétricos teria uma redução líquida nas emissões de dióxido de carbono e na importação de combustíveis" fósseis, sustentou à agência Lusa o diretor do INESC do Porto, Vladimiro Miranda.

Um relatório da consultora holandesa CE Delft, divulgado no domingo pela associação ambientalista portuguesa Quercus, concluiu que a circulação de carros elétricos pode provocar um aumento das emissões de dióxido de carbono, a menos que estes veículos sejam abastecidos com energia limpa, de origem renovável.

Para Vladimiro Miranda, o estudo apresenta "erros crassos de conceito", sendo as suas conclusões um "disparate", um "absurdo completo que só se compreende na estratégia de protagonismo de organizações que não olham a meios para aparecer nas notícias".

O responsável defendeu que a diminuição das emissões de gases poluentes e da importação de combustíveis fósseis, como o petróleo, ocorre "imediatamente", desde que haja, por exemplo, "um parque de produção" de energia que inclua centrais a gás.

Ora, produzindo Portugal energia eólica, energia renovável extraída a partir do vento, a vantagem será "maior", já que o país poderá "valorizar essa energia" com a sua "correta combinação" com o armazenamento de energia elétrica nas barragens e nas baterias dos automóveis, sustenta o docente.

O diretor do INESC do Porto entende ser "absolutamente indispensável e benéfico" para Portugal o uso de carros elétricos, uma vez que têm um "rendimento de 40 por cento".

Ao invés, "o rendimento do carro com motor de combustão é de 25 por cento", advogou Vladimiro Miranda.

O relatório da consultora holandesa, publicado na véspera da reunião informal dos ministros da Indústria da União Europeia, indica ainda que a legislação europeia que regula as emissões dos carros apresenta "graves lacunas", ao autorizar os construtores automóveis a "compensarem" a venda de veículos elétricos com a venda de viaturas mais poluentes, que escapam aos limites de emissão definidos na lei.

O resultado desta regra é que a venda de dez por cento de veículos elétricos pode levar a um aumento de 20 por cento no consumo de combustível e nas emissões de carbono no setor automóvel.

Para o diretor do INESC do Porto, tal constatação "não tem base científica", até porque, recordou, existem em Portugal medidas fiscais que penalizam a aquisição de carros poluentes e, em contrapartida, beneficiam a compra de veículos menos poluentes.

Comentando o estudo no domingo, o vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, salientou que "Portugal tem feito um esforço significativo na produção de eletricidade de origem renovável, mas não tem sido transparente na comunicação pública do seu peso relativo, exagerando nas contas".

As organizações ambientalistas esperam que todos os veículos elétricos vendidos no mercado europeu tenham uma "tecnologia de abastecimento inteligente que permita que a energia usada para carregar as baterias seja sobretudo proveniente de fontes renováveis".

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico



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