Ucrânia

Nem tudo está ganho para Yanukovich

por Sandra Pereira, Publicado em 09 de Fevereiro de 2010   
"Musa da Revolução Laranja", Yulia Tymoshenko anuncia hoje se contesta vitória do rival nos tribunais
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Com 98,8% dos votos contados, o candidato pró-russo Viktor Yanukovych foi eleito presidente da Ucrânia com 48,7% dos votos. A 2,9 pontos percentuais de distância ficou a rival Yulia Tymoshenko, com 45,8% das vozes. Porém, em vez de se ouvirem gritos de vitória, a Ucrânia está suspensa à espera da candidata derrotada, que disse esperar até à contagem do último voto antes de reconhecer Yanu-kovych como presidente. Ty- moshenko remeteu os comentários para uma conferência de imprensa, marcada para hoje.

A margem entre os dois candidatos é ínfima e todos esperam para ver o que fará a musa do movimento pró-ocidental, que fez uma contagem paralela e ameaçou ressuscitar os protestos da Revolução Laranja caso os resultados não fossem claros como a água. Em 2004, as denúncias de fraude eleitoral levaram à repetição das eleições, que invalidaram a vitória de Yanukovych com o reconhecimento da de Viktor Yuschenko. Mas o escrutínio deste domingo foi descrito como um "impressionante painel de democraticidade" pelos observadores internacionais.

"Mesmo se não aceitar os resultados, Tymoshenko vai protestar nos tribunais e não na praça pública", disse ao i o embaixador da Ucrânia em Portugal, Tomas Ronenko. Muitos analistas notam que nenhum candidato reuniria apoios para "incendiar" de novo as ruas de Kiev.

"Está na hora de os líderes políticos do país ouvirem o veredicto do povo e se certificarem de que a transição de poder é pacífica e construtiva", recomendou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

No poder, Yanukovich terá de governar com Tymoshenko como primeira-ministra. Momentos após a vitória, o "vilão" de 2004 prometeu mudança e disse que a rival devia já pensar em retirar- -se do governo. Para a demitir, o líder do Partido das Regiões precisa da aprovação da maioria no Parlamento - mas é pouco provável que a obtenha. Já "uma coligação vai depender de como Tymoshenko aceitar o resultado", nota Ronenko. Em Portugal, mais de 1500 ucranianos votaram no futuro do seu país.


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