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Já chovem nomes para suceder a Constâncio no Banco de Portugal

por Sílvia de Oliveira, Publicado em 09 de Fevereiro de 2010   
Os nomes de Manuel Pinho e de Vítor Bento circulam no meio financeiro. O governo procura alguém que concilie técnica e credibilidade
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O apoio da maioria dos países da zona euro à candidatura de Vítor Constâncio a vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) acelerou o processo de substituição do governador do Banco de Portugal. José Sócrates e o seu núcleo mais próximo já têm alguns nomes em cima da mesa. A preocupação será, não só a de assegurar uma transição tranquila, mas também a de garantir que quem suceder a Constâncio tem a notoriedade e credibilidade exigida para este cargo.

Segundo uma fonte contactada pelo i, o nome do ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, tem sido referido como uma possibilidade. "É um homem da confiança de José Sócrates, foi administrador do BES durante 10 anos, mas pode levantar alguma indignação junto de alguns sectores", disse o mesmo responsável. Pinho parte, no final do mês, para Nova Iorque, para dar aulas sobre a política de energia na Universidade de Columbia, mas esse não seria um impedimento caso fosse esta a escolha do governo. Contactado pelo i, Manuel Pinho recusou fazer qualquer comentário, limitando-se a negar que tenha sido contactado sobre este assunto.

Vítor Bento, conselheiro de Estado e presidente da SIBS - Sociedade Interbancária de Serviços, também é referido como outro dos potenciais sucessores de Constâncio. Mas a sua ligação a Cavaco parece tornar esta opção menos provável. O economista manteve-se incontactável até ao fecho da edição.

A maior dificuldade do governo, a quem compete a decisão, parece ser a de encontrar um novo governador do Banco de Portugal que concilie competências técnicas, notoriedade e credibilidade. E por outro lado, evitar uma carga política exagerada na escolha, que poderia ser mal recebida em Frankfurt. Não são muitos os candidatos que reúnem os atributos necessários: "Teixeira dos Santos seria a melhor solução, mas o ministro das Finanças terá ficado de fora depois de ter afastado, pelo menos para já, um cenário de demissão", adiantou uma das fontes contactadas pelo i.

Na cimeira desta quinta-feira em Bruxelas, é de esperar que vários países formalizem o seu apoio a Vítor Constâncio. Ao lado do português, estarão Espanha, Alemanha, Holanda, França e Itália, para além de outros países mais pequenos. O Luxemburgo e a Bélgica mantêm, por enquanto, o apoio aos seus póprios candidatos - Yves Mersch e Peter Praet, respectivamente.

A decisão final só será tomada no dia 15 pelos ministros das Finanças da zona euro. Uma vez confirmada a escolha, o conselho de governadores do BCE terá ainda de dar o seu parecer, antes de o sucessor do grego Lucas Papademos ser formalmente nomeado pelos chefes de Estado e de governo dos 27, na cimeira de 25 e 26 de Março.

A nomeação do vice-presidente da autoridade nometária europeia tem sido relacionada pelos analistas com a escolha do presidente da instituição - o mandato de Jean-Claude Trichet (actual presidente) termina em 2011. Axel Weber, o governador do Bundesbank, surge como favorito.


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