América Latina
Ela é a primeira mulher presidente da Costa Rica
por Rosa Ramos, Publicado em 09 de Fevereiro de 2010
Laura Chinchilla, eleita no domingo, quer transformar país no mais desenvolvido da América Latina
É a primeira mulher presidente na história da Costa Rica e a quinta da América Latina. Laura Chinchilla venceu, no domingo, as eleições presidenciais com 47% dos votos, derrotando o centro-esquerdista Ottón Solís (que obteve 24,9%) e a direita de Otto Guevara (com 21,1%).
Com a quase totalidade dos votos apurados, Laura fez a primeira aparição pública num hotel de San José, acompanhada pelo marido - o espanhol e especialista em direito penal José María Rico - e do filho de 13 anos, José Maria. "Estamos a fazer história. Terei as portas abertas para todos os costa-riquenhos de boa fé. Escutarei a voz de quem não esteve connosco nesta eleição e peço, humildemente, ajuda de todos. Ninguém tem o monopólio da verdade, da sensatez e da moral", prometeu.
Chinchilla, que concorria pelo Partido Nacional Libertador (PNL), precisava de pelo menos 40% dos votos para evitar uma segunda volta. Apesar de ter superado esse obstáculo, não conseguiu, ainda assim, conquistar a maioria na assembleia legislativa. Por isso, é certo que terá de se coligar com os partidos da oposição.
Entre os compromissos assumidos pela nova presidente destaca-se o "reforço da segurança" - questão que, segundo várias sondagens, está no topo das preocupações dos costa-riquenhos. Este tema dominou toda a campanha, já que a Costa Risca desmantelou o seu exército em 1948 e tornou-se, em especial na última década, num ponto de passagem do narcotráfico. O sistema de saúde e o ambiente também foram assumidos como áreas prioritárias no discurso de vitória, no qual a nova presidente revelou o desejo de transformar a Costa Rica, até 2021, "numa nação que compensa a totalidade das suas emissões de carbono". No plano económico, o objectivo será "transformar o país no mais desenvolvido da América Latina". A Costa Rica - que, numa zona tumultuosa, tem gozado de estabilidade política -, é considerada um caso de sucesso da América Central em matéria económica - a economia baseia-se no turismo, na exportação de café, ananases e bananas e na montagem de microchips
A política não é novidade no currículo de Laura Chinchilla. Aos 50 anos, já foi ministra da Segurança Pública entre 1994 e 1996, e deputada pelo PNL entre 2002 e 2006. No segundo mandato de Óscar Arias (que ganhou o Nobel da Paz em 1987 pelo papel de mediador das guerras civis da América Central e foi impedido pela Constituição de se voltar a candidatar, depois de ter sido presidente entre 1986 a 1990 e, mais tarde, em 2006), assumiu a vice-presidência do governo, cargo que só abandonaria em Outubro de 2009, quando anunciou a sua candidatura à presidência.
Apesar da experiência, as vozes mais críticas encaram-na como uma marioneta de Óscar Arias e do PNL, que governou a Costa Rica durante 33 dos últimos 57 anos.
Licenciada em Ciências Políticas e mestre em Políticas Públicas, Laura Chinchilla assume-se como conservadora social, opõe-se ao casamento gay e ao aborto, e é considerada uma defensora acérrima dos direitos das mulheres.
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