A ilha das Flores, nos Açores, vai poder ser abastecida "a cem por cento" por energias renováveis durante "muitos dias do ano", revelou hoje à Lusa o diretor regional de Energia, Cabral Vieira.
“Com recurso às energias eólica e hídrica, que é um substituto quase perfeito do fuel, vai ser possível abastecer a ilha das Flores [com energias renováveis] por mais tempo do que os 12 dias do ano passado” disse Cabral Vieira, que falava à margem da conferência sobre 'Energia e Alterações Climáticas - Desafios para as Populações Insulares', que hoje decorreu em Angra do Heroísmo.
Em outubro de 2009, a ilha das Flores foi abastecida durante 12 dias apenas com recurso a energias renováveis, o que representou “uma situação inédita no país”.
“É possível, conjugando as energias eólica e hídrica, através de uma tecnologia única no território nacional, abastecer com energias renováveis territórios como as Flores”, salientou o diretor regional de Energia.
A tecnologia em causa refere-se à utilização de volantes de inércia, que eliminam ou atenuam as variações de tensão nos aerogeradores, o que permite garantir a qualidade da energia produzida.
Segundo Cabral Vieira, o sistema naquela ilha, com 142 quilómetros quadrados e pouco mais de 4000 habitantes, “caminha para uma quase autosustentação, para o que vai ser construída uma nova central termoelétrica, orçada em 12,5 milhões de euros”.
“O concurso para esta nova central, que terá cinco grupos de geradores e uma potência de 3,6 megawatts, já foi lançado”, afirmou, acrescentando que será centralizada no concelho das Lajes a distribuição de energia para toda a ilha das Flores e também para a vizinha ilha do Corvo.
Para além desta infraestrutura, que faz o reaproveitamento da atual central localizada em Além Fazenda, está prevista a construção de uma nova central hídrica na Ribeira Grande.
Com estes investimentos, o governo açoriano espera atingir nos próximos anos uma taxa de 87 por cento de energias renováveis no abastecimento da ilha das Flores.
O diretor regional de Energia salientou, no entanto, que “uma região como os Açores nunca poderá prescindir de centrais térmicas, porque a diversidade das fontes aumenta a segurança no abastecimento, nomeadamente em momentos de catástrofe”.
Atualmente, os Açores dependem de 74 por cento de energia térmica para o abastecimento elétrico, que é assegurado entre 26 a 28 por cento por energias renováveis.
“Esperamos em 2018 já ter investido o suficiente para que este abastecimento elétrico seja 75 por cento de fontes renováveis”, frisou Cabral Vieira.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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