O ministro da Ciência, Mariano Gago, afirmou hoje que a ciência e a investigação têm um contributo vital para o aumento da competitividade e da produtividade, num esforço para saída da crise.
Em entrevista à Lusa a propósito da reunião informal dos ministros Europeus da Competitividade, que decorre a partir de hoje na cidade espanhola de San Sebastian, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior insistiu que devem redobrar-se os esforços para incorporar a ciência e tecnologia nos processos produtivos, capitalizando assim nas mais valias europeias.
“A Europa tem hoje ativos importantes nesta área”, explicou Gago, recordando que o segundo dia do encontro de San Sebastian será dedicado à expansão do uso dos carros elétricos na Europa.
Um sector onde a investigação e a tecnologia europeias têm sido “decisivas”, como ocorre ainda em áreas como as energias renováveis, criando produtos de importância estratégica tanto para a Europa como para o resto do mundo.
A primeira sessão de debate, hoje, esteve já concentrada na resposta à crise económica e em particular “no papel da ciência e investigação” nesses esforços de retoma económica.
“Hoje, muito do debate tem a ver com reafirmar a enorme importância para a saída da crise que é o aumento da competitividade e produtividade das empresas”, disse.
“E isso só se consegue atingir com um aumento muito significativo da incorporação do conhecimento e de ciência e tecnologia nos processo produtivos”, considerou ainda.
Para que essa vontade se materialize, Mariano Gago considera que deve ser feita uma “aposta muito deliberada” em recursos humanos, educação, informação e investigação”.
“Isso implica um reforço das universidades e das redes de universidades, tanto à escala europeia e implica naturalmente um reforço da cooperação internacional entre universidades e empresas à escala”, disse ainda.
Em debate em San Sebastian está também a questão da partilha e da cooperação no desenvolvimento de grandes infraestruturas de investigação a nível europeu.
“A época das grandes infraestruturas estritamente nacionais acabou. Hoje qualquer país, mesmo que tenha capacidade financeira para criar novas infraestruturas, aposta na colaboração”, afirmou.
Mariano Gago recorda ainda que a mobilidade científica é já bastante significativa, notando porém que ainda há que resolver alguns obstáculos, como as questões da reforma e da segurança social.
“O objetivo é permitir desenvolver carreiras científicas em vários países ao longo de uma carreira. Isso implica acordos de estabilidade em questões de reformas e segurança social”, disse.
Nesse sentido, Portugal e o Luxemburgo apresentaram já uma proposta para que o tema seja discutido por ministros da Ciência e dos Assuntos Sociais numa reunião em março.
Também no caso português Mariano Gago sublinha haver grande mobilidade, com uma relação “muito equilibrada” entre Portugal e os outros países no que toca a intercâmbios de cientistas.
“É bom que haja portugueses noutros países, desde que haja cientistas estrangeiros a vir para Portugal”, disse, notando que nos últimos anos se tem consolidado a percentagem de especialistas estrangeiros recrutados através de concursos públicos para cargos em Portugal.
“Nos últimos 2 anos, nos concursos para jovens investigadores doutorados lançados a escala nacional - para ocupar 1.200 vagas - 40 por cento dos recrutados não são portugueses”, explicou.
“Portugal é um pais que estava muito atrasado cientificamente há 30 anos, que se desenvolveu muito rapidamente e até contra algumas expetativas europeias e que atingiu níveis de desenvolvimento científico que em alguns casos superam a média”, afirmou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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