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Celebridades do Twitter. Os famosos, os desconhecidos e os inconsequentes

por Ana Rita Guerra, Publicado em 08 de Fevereiro de 2010   
A rede dos 140 caracteres está a criar uma nova raça no mundo da fama, as "twilebrities". Em Portugal já há uma e chama-se Dputamadre
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Não há outro português no Twitter que tenha tantos seguidores como esta desconhecida, que se assume com um nome quase indecoroso para escrever nas páginas de um jornal: Dputamadre, que na verdade significa, em castelhano, qualquer coisa como fantástico, ou excelente. Atingiu os 100 mil seguidores na semana passada, uma marca inédita num Portugal que ainda está muito longe de aderir ao Twitter como aderiu ao Facebook.

E quem é Dputamadre? Alguém que começou a escrever em Janeiro do ano passado por considerar ser "um pouco difícil interagir" com os portugueses. É ainda alguém que encontrou no Twitter uma plataforma de "igualdade" que proporcionou a partilha e a "aventura" que desejava. No entanto, foram os acontecimentos marcantes das eleições iranianas, em Junho de 2009, e as consequentes execuções sumárias de manifestantes, que ditaram a celebridade desta portuguesa. "Dei-lhes o apoio que me foi possível", explica ao i Dputamadre, aliás, Glória Martins, ex-professora e agora gestora de projectos culturais. "Um simples RT [reTweet, reenviar uma mensagem] significava: Estou aqui e escuto-te. Vai dizendo. Não estás só." Foi então que percebeu que podia fazer alguma coisa. Decidiu "angariar o maior número possível de followers [seguidores], porque nunca se sabe até que ponto também pode fazer a diferença num caso tão ignóbil como o é a situação no Irão", conta Glória. E assim o crescimento disparou.

Fala com um empenho inabalável, diz que é "urgente mobilizar a comunidade internacional para as atrozes execuções sumárias dos manifestantes da Green Revolution". Quer impedir as nove execuções que estão marcadas para esta quarta-feira e pôs uma petição a circular online (www.servisis.co.uk/greenwave/) para que a embaixada do Irão em Portugal faça alguma coisa.

Talvez consiga, porque a sua voz é cada vez mais ouvida: as opiniões que debita todos os dias no site de microblogging mais famoso da net são seguidas por 100 394 pessoas no momento em que este artigo está a ser escrito (o número continua a aumentar). É obra.

Confessa-se "viciada em arte", segue ela própria mais de 600 museus e galerias no Twitter, tem um blogue com o título sugestivo "F-se!" (f-se.blogspot.com), no qual assina com o nome "Rosen Crantz", uma personagem de "Hamlet" de Shakespeare.

Mas é como Dputamadre que consegue ter mais seguidores do que os nomes mais conhecidos do Twitter nacional, desde políticos como Manuel Alegre a cantores como David Fonseca.

Apesar disso, distancia-se desta tendência fascinante do Twitter que é ser uma máquina de criar tweet-celebridades sem causa aparente. Aquilo a que a "Vanity Fair" chama de "twilebrities" na edição de Fevereiro, uma fase avançada das "tweeple", as pessoas que passam o dia a encher os ecrãs dos seguidores de pedaços da sua vida, no apetitoso formato de 140 caracteres. À dimensão nacional, as twilebrities praticamente não existem. Mas nos Estados Unidos são um autêntico fenómeno.

E não, não é preciso recorrer aos conhecidos episódios em que Ashton Kutcher elogiou o corpo da mulher Demi Moore de forma pouco discreta, em que Tila Tequila anunciou a morte da noiva (e herdeira do império Johnson) ou aquele em queLindsay Lohan mandou a ex-namorada dar uma curva. Estamos a falar de pessoas sem qualquer motivo para serem conhecidas que se tornam estrelas do formato e se tornam celebridades ao contrário. Primeiro o Twitter, depois a fama.

Julia Roy, nova-iorquina de 26 anos com um cargo que não existe em Portugal - estratega social - diz que o Twitter é tão viciante que "quando se twitta o tempo todo, começa-se a pensar em 140 caracteres". O Twitter é o palco digital antes ocupado pelos blogues, quando ainda havia poucos e uma mão-cheia de aspirantes a formadores de opinião e estrelas de internet se acotovelavam para ver quem é que conseguia mais visitas e mais comentários.

Ora, isso é tão anos 2000 que nesta altura nem o Facebook serve para estes meteoritos da fama imediata. O Facebook é demasiado lento. Tem demasiadas funcionalidades, uma pessoa perde-se entre os jogos da quinta e as causas para salvar os mosquitos de três patas do outro lado do mundo. O Twitter, ao contrário, é como um imenso ecrã a debitar mensagens de texto para todo o mundo ver. Diz-me quem segues no Twitter, dir-te-ei quem és. Está lá tudo: as escolhas políticas, os gostos musicais, as causas, os amigos e até os produtos de que um twitteiro gosta.

Para quem não está habituado ao meio, é quase impossível perceber as abreviaturas - de tal forma que os atalhos do Messenger parecem uma brincadeira de meninos. Há twilebrities com uma vida social virtual tão intensa que parecem episódios da série "Lost" apanhados a meio: se não estava lá do início, não vai perceber nada. A "Vanity Fair" cita um estudo da University Press que analisou 1,5 milhões de tweets. As palavras mais usadas foram algo como "fixe", "espectacular" e "uau". O que significa isto? Para estas tweet-celebridades, o Twitter é um imenso concurso de popularidade. Ou melhor, um liceu que dura para sempre. Para Dputamadre, a portuguesa que luta pelos direitos humanos, o Twitter é uma oportunidade de salvar o mundo.

 

Top dos twitteiros portugueses famosos com mais seguidores

1. Nuno Markl

2. Bruno Nogueira

3. Fernando Alvim

4. David Fonseca

5. Nilton

 

Top dos twitteiros portugueses desconhecidos com mais seguidores

1. Dputamadre

2. Ruivo

3. jafonso

4. ditesco

5. franciscoasousa

 

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