Narco-violência

Guerra civil sem fim no México. 15 mil mortos em três anos

Publicado em 08 de Fevereiro de 2010   
Desde que assumiu a guerra contra os cartéis em 2006, Felipe Calderón conta cada vez mais mortos em cada ano
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Início de Fevereiro. México. Ciudad Juarez - fronteira com os Estados Unidos. Uma hora e meia da manhã. Meia centena de jovens estudantes divertem-se numa vivenda numa zona de classe média--baixa. Chegam sete carrinhas com mais de 20 assassinos contratados e disparam indiscriminadamente. Dezasseis jovens morreram baleados e outros 14 ficaram feridos. Familiares e vizinhos não quiseram falar nem com a polícia nem com jornalistas, com medo de represálias. Com estas, elevam-se a 15 mil as mortes relacionadas com o narcotráfico desde Dezembro de 2006.

A notícia chocou o país, mas nem por isso impediu ou acalmou as sucessivas mortes na Ciudad Juarez, considerada a localidade mais violenta do México. Só este fim-de-semana, mais nove pessoas morreram no centro da cidade, uma das quais decapitada por vários atacantes num stand de automóveis. Dois homens conversavam tranquilamente num cruzamento quando pistoleiros saíram de dois carros e dispararam para os dois homens, matando um de imediato. O segundo ainda tentou abrigar-se dentro de uma casa, mas acabou por tombar junto à porta. A polícia encontrou 25 invólucros.

Números negros Enquanto os números oficiais apontam para 6500 mortes só no ano passado, os meios de comunicação referem 7600 mortos em 2009 relacionados com o tráfico de droga, um número que superou as estatísticas de 2008 e dos últimos anos.

São as próprias autoridades que avançam o número de 15 mil mortos desde Dezembro de 2006, altura em que o governo mexicano e o recém-eleito presidente Filipe Calderón resolveram iniciar uma guerra sem quartel ao tráfico de droga no México - hoje considerado o país com o papel mais importante no tráfico de estupefacientes. Mas é a Ciudad Juarez, na fronteira com El Paso, no Texas americano, que lidera a contagem dos assassínios: os órgãos de comunicação locais contam 2575 assassinatos na cidade em 2009, contra 1600 em 2008.

Juarez tem sido o maior campo de batalha para os dois principais gangues de crime organizado - os cartéis de Juarez e do Pacífico. Uma guerra pelo domínio do mercado de droga na fronteira com os Estados Unidos. Para cada um dos cartéis, trabalham autênticos assassinos a soldo que semeiam a violência nas ruas de Juarez. Por um lado os Aztecas, aliados do Cartel de Juarez, com mais de sete mil membros e, por outro, os Mexicles e os Artistas Asesinos (Artistas Assassinos), respectivamente com 1200 e 600 membros.

A população refere inúmeras vezes a incapacidade policial de resolver o problema. Um mexicano residente em Juarez, indignado com o massacre dos estudantes, referia à comunicação social que se devem substituir todos os polícias municipais e estatais, alterar as chefias da polícia judicial e do Estado e vigiar de perto todos os responsáveis políticos. Para outros, a solução passa, em grande medida, pela legalização da droga como forma de combate ao tráfico e às constantes guerras pelo domínio de territórios.


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