O PS vai viabilizar o requerimento do PSD para que a Comissão de Ética realize um conjunto de audições sobre o exercício da liberdade de expressão em Portugal, anunciou hoje a deputada socialista Inês de Medeiros.
Contactada pela agência Lusa, Inês de Medeiros sublinhou que o PS não considera que exista falta de liberdade de expressão em Portugal mas, apesar disso, “aceita obviamente realizar uma série de audições” sobre esta temática.
“Estes últimos dias têm provado que não há propriamente um problema de liberdade de expressão em Portugal. Não nos parece que a imprensa, que a comunicação social esteja inibida de falar seja do que for”, declarou.
Inês de Medeiros acrescentou que o PS quer “pensar seriamente sobre quem deve ser ouvido” para que a Comissão de Ética faça “uma avaliação nacional” sobre o exercício da liberdade de expressão, recusando alinhar numa “precipitação para acorrer às notícias do dia a dia”.
“É sempre mau estar a reagir a quente. Não consideramos que Portugal esteja a viver um período negro de falta de liberdade de expressão. Mas, se é esse o sentimento, então vamos fazer isto como deve ser”, concluiu.
Questionado pela agência Lusa, o BE informou que “não se vai opor ao pedido do PSD”.
O PCP disse que votará a favor do requerimento do PSD se, depois de analisar o texto, considerar que serve “para o esclarecimento da situação” e o CDS-PP também remeteu para mais tarde a sua posição.
O requerimento do PSD para que se realize “um conjunto de audições subordinado à temática do 'Exercício da liberdade de expressão em Portugal'” foi apresentado na Comissão de Ética na quinta feira e será discutido e votado na próxima terça feira.
Na sexta feira, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, anunciou que o seu partido pediu à Comissão de Ética do Parlamento para analisar a situação da liberdade de expressão em Portugal.
A presidente do PSD falava no mesmo dia em que a edição do semanário Sol transcreveu extratos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que este considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", envolvendo o primeiro-ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz. Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.
Sobre esta notícia, Manuela Ferreira Leite declarou apenas: "Eu durante meses falei sobre esse assunto e, portanto, neste momento nada tenho a comentar, a não ser a certeza de que já falei nisso há muito tempo e que ninguém, provavelmente, levou a sério".
O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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