O Exército Irlandês de Libertação Nacional (INLA), uma divisão separatista do inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), entregou todo o seu arsenal de armas, divulgou hoje a imprensa britânica.
Segundo a BBC, a entrega das armas, que teve lugar há poucos dias, foi confirmada pela Comissão Internacional Independente de Desarme (IICD), que é presidida pelo general canadiano reformado John de Chastelain.
Em outubro, o INLA anunciou que iria abandonar a luta armada para perseguir seus objetivos políticos, a unificação da ilha da Irlanda, por meios exclusivamente democráticos.
O INLA, que provocou a morte de mais de 150 pessoas durante os conflitos na Irlanda do Norte, foi o responsável por alguns dos atentados mais sangrentos, como o ocorrido em 1982, num “pub” do condado de Londonderry, em que 17 pessoas foram assassinadas.
Formado em 1975 por membros do IRA, que se opuseram às tréguas estabelecidas pela organização terrorista, o INLA obteve notoriedade com o assassínio em 1979, em Londres, de um político conservador, Airey Neave, estreito colaborador da então primeira ministra britânica Margaret Tatcher.
Foram também atribuídas ao grupo o assassínio do conhecido paramilitar unionista Billy Wrigth, líder do grupo protestante Força Voluntária do Ulster, enquanto este cumpria pena num estabelecimento prisional, em dezembro de 1997.
Segundo especialistas, o INLA participava de atividades ilícitas, como o narcotráfico e roubos.
Há apenas um ano atrás assumiu a autoria do assassínio de um traficante de drogas na localidade norte-irlandesa de Derry.
Em comunicado divulgado, em outubro, durante um ato realizado num cemitério da localidade de Bray, ao sul de Dublin, o INLA assegurou que o conflito “havia terminado”.
A leitura do comunicado foi feita por Martin McMonagle, representante do Partido Socialista Republicano Irlandês (IRSP), braço político do INLA, que reconheceu que o objetivo histórico de unificar a ilha sob uma república socialista será alcançado por “meios exclusivamente pacíficos”.
“O partido - disse o interlocutor - foi informado pelo INLA de que, depois de um sério processo de debate, consultas e análises, chegou-se a conclusão de que a luta armada terminou.”
No entanto, acrescentou que continuarão em oposição, por meios democráticos, ao acordo de paz da Sexta-Feira Santa (firmado em 1998).
A renúncia à violência por parte do INLA aconteceu meses depois de que os principais grupos paramilitares protestantes, a Força de Voluntários do Ulster (UVF) e a Associação de Defesa do Ulster (UDA), anunciaram sua intenção de deixar as armas.
Entretanto, permanecem ativos outros ramos separatistas do IRA, o IRA Autêntico e o IRA Continuidade, responsáveis pelos assassínios de soldados britânicos e de um agente católico da polícia norte-irlandesa em março.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico***




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