"Estou chocado". Ronaldo critica falta de apoio do governo à F1

por Filipe Duarte Santos e Bruno Roseiro, Publicado em 05 de Fevereiro de 2010   
Jogador diz-se "chocado" com a falta de apoio para o piloto chegar à F1. Tutela demarca-se
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Álvaro Parente está a fazer tudo para salvar a época de 2010 - dentro e fora da Fórmula 1 - e a empresa que lhe gere a carreira, a Polaris, do universo Jorge Mendes, conseguiu ontem a ajuda de Cristiano Ronaldo para pressionar o Turismo de Portugal (ITP) a assumir um suposto acordo que garantia a entrada do piloto português na Virgin Racing, equipa do milionário Richard Branson. "Fiquei chocado com as notícias de que o Turismo de Portugal não tinha concretizado o apoio acordado", reagiu o futebolista do Real Madrid, em comunicado. Ao mesmo tempo, o organismo da tutela do Ministério da Economia demarcou-se de qualquer responsabilidade.

Depois da expectativa em entrar na Fórmula 1 como piloto de testes da Virgin, Álvaro Parente vive agora um impasse. A empresa que gere a carreira do portuense, apurámos, argumenta "responsabilidade pré-contratual do ITP" e não está excluída a possibilidade de o caso acabar nos tribunais. Ontem ao final da noite, a Polaris divulgou um um email de Outubro de 2009, assinado por Frederico Costa, vice-presidente do ITP, onde este assumia o interesse em participar no projecto Virgin/Parente. "O Turismo de Portugal decidiu avançar para uma presença na F1, através do projecto 2010 da Virgin Racing e Álvaro Parente. O Turismo de Portugal está preparado para investir significativamente, não apenas para ajudar Álvaro Parente a competir pela Virgin Racing, mas também, e particularmente importante para nós, num plano de marketing para promover a imagem de Portugal como um destino top de Turismo com o apoio da Virgin".

Quatro a cinco milhões Antes disto, o ITP já tinha emitido outro comunicado garantindo nunca ter estabelecido qualquer acordo com a Virgin incluindo o nome de Álvaro Parente: "Desses contactos foi sempre expressamente excluída qualquer negociação tendente a apoiar a hipotética integração do piloto Álvaro Parente na escuderia Virgin Racing", escreveram. Entre explicações que não batem certo, o i sabe que o ITP e a Virgin chegaram a ter em cima da mesa um negócio de quatro a cinco milhões de euros, visando uma parceria que alastrava a outras empresas de Richard Branson, mesmo fora da Fórmula 1. "Tiveram lugar diversos contactos exploratórios entre essa empresa e o Turismo de Portugal, no sentido de aferir das possibilidades de estabelecer um acordo global de promoção da Marca turística Portugal nos diversos suportes operados pela Virgin (companhia aérea, comboios, navios de cruzeiro, operadores de viagens, etc...). No desfecho dessas negociações, não foi possível chegar a uma plataforma de entendimento devido às contrapartidas oferecidas face aos custos associados", confirmou ontem o ITP.

Nesta altura, era a reboque do eventual entendimento entre ITP e Virgin que Álvaro Parente estaria garantido na F1. Chegou a existir um contrato entre o piloto e a equipa, que lhe garantia também a presença na categoria de transição, a GP2. Quando caiu o negócio, caiu Parente. O i sabe, ainda, que as prioridades do ITP no desporto passam agora pelo apoio a eventos dentro do país, como o Mundial de motociclismo, o Campeonato do Mundo de Ralis, o Circuito Mundial de Surf, entre outros.

A porta da Virgin Racing está fechada para Álvaro Parente mas ainda existem duas equipas que não fecharam o quadro de pilotos. Uma delas é a Campos, onde só foi confirmado Bruno Senna; na outra, a USF1, Parente teria mais dificuldade entrar por falta de impacto no mercado norte- americano, de onde vêm os principais patrocinadores. As movimentações das últimas horas, apurámos, ainda visam salvar a temporada do piloto e colocá-lo numa equipa.  com Pedro Candeias


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