Escutas proibidas já são públicas. Envolvidos estão em silêncio

por Sara Sanz Pinto, Publicado em 04 de Fevereiro de 2010   
Não há qualquer reacção pública conhecida dos indivíduos ou entidades citados nas escutas hoje publicadas pelo jornal Sol. O Procurador-Geral da República escreveu em Dezembro que não existiam indícios que determinassem a instauração de procedimento criminal contra o primeiro-ministro ou qualquer outro dos indivíduos mencionados nas certidões. Foi essa a razão da ordem de arquivamento e destruição das escutas. Hoje, contactado pelo i, ainda não deu qualquer resposta.
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O semanário Sol revela na edição de sexta-feira um extracto do despacho do juiz do processo Face Oculta onde se refere que “das conversações entre Paulo Penedos e Armando Vara resultaram indícios muito fortes da existência de um plano em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, visando o controlo da estação de televisão TVI e o afastamento da jornalista Manuela Moura Guedes e do seu marido, José Eduardo Moniz, para controlar o teor das notícias”.

Ao longo de 10 páginas, o jornal desfia as ligações entre empresários de algumas das maiores empresas portuguesas e políticos, encontrando nas transcrições argumentos para sustentar a tese de que foi posto em prática um plano para controlar não só a estação da Prisa, como outros media portugueses. Armando Vara e Paulo Penedos aparecem como figuras-chave do processo (são os dois alvos das escutas), mas as conversas que mantêm acabam por envolver dezenas de outras figuras públicas.
De acordo com o mesmo despacho, “resultam ainda fortes indícios de que as pessoas envolvidas no plano tentaram condicionar a actuação do Presidente da República, procurando evitar que o mesmo fizesse uma apreciação crítica do negócio”.
No processo Face Oculta, que investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas, foram constituídos 18 arguidos, incluindo Armando Vara, vice-presidente do BCP que suspendeu funções, José Penedos, presidente da REN-Redes Eléctricas Nacionais, cujas funções foram suspensas pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel Godinho, que está em prisão preventiva.
O primeiro-ministro foi interceptado em 11 escutas dirigidas a Armando Vara neste processo. Mais tarde, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, afirmou que as escutas envolvendo José Sócrates não continham "indícios probatórios” que determinassem “a instauração de procedimento criminal contra o primeiro-ministro, designadamente pela prática do crime de atentado contra o Estado de Direito".



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