Automóvel
Toyota inspecciona 28 mil carros em Portugal
por Sónia Cerdeira, Publicado em 05 de Fevereiro de 2010
O problema está identificado e a campanha preventiva será posta em marcha no início da próxima semana
São 28943 carros. Todos Toyota, todos possivelmente afectados por um defeito no acelerador que também obrigará à recolha de modelos Citroën e Peugeot. O problema, que já levou à recolha de oito milhões de Toyota em todo o mundo, começará a ser corrigido em Portugal no início da próxima semana, à medida que os modelos forem identificados e chamados aos stands.
Em causa estão modelos populares como os Toyota Aygo e Yaris, o Peugeot 107 ou o Citroen C1, dois modelos que partilham as mesmas peças. "O problema é que há fornecedores globais, por essa razão é que há carros recolhidos nos EUA, Europa e Japão", garante ao i fonte oficial da Toyota Portugal. A peça do acelerador, fabricada na República Checa, criou um problema novo para a Toyota, conhecida pela durabilidade e resistência dos seus modelos.
"Há uma tendência dos fabricantes em cortar nos custos de garantia e quando se corta aí, cortam-se custos de desenvolvimento e custos inerentes à própria substituição dos componentes", garante António Clemente, consultor para o sector automóvel e engenheiro mecânico. "Vamos ter a fiabilidade comprometida, daí termos recalls nas quantidades industriais que temos", acrescenta.
Para a Toyota, este é um caso estranho. "Monitoramos todos os padrões de qualidade e segurança de todos os componentes. Caso haja um não cumprimento dos nossos padrões, a Toyota Motor Europe conduz uma investigação pormenorizada para averiguar o fundamento da mesma", garantiu ao i o novo presidente da Toyota Portugal, José da Silva Ramos. Os carros afectados correspondem a 36% do período abrangido pelo ciclo de produção das viaturas envolvidas na campanha preventiva.
Em Portugal "não se trata de uma recolha de viaturas, mas sim da verificação das mesmas nos nossos concessionários de forma a aferir se devem ou não ser alvo da medida correctiva no pedal do acelerador", acrescenta José da Silva Ramos. As primeiras peças para a intervenção vão chegar à Europa na próxima semana e as marcas afectadas vão começar a enviar cartas registadas aos clientes e concessionárias já no início da próxima semana.
A Citroën recebeu ontem uma carta da casa-mãe em França com a listagem de 644 chassis e é a partir desses números que vão chegar aos proprietários. Aguardam apenas luz verde de França para proceder aos contactos, no entanto, fonte oficial da marca afirmou ao i que ainda "não temos informação de como se manifesta a deficiência." Já a Peugeot identificou 412 carros com uma possível anomalia no acelerador.
Oito modelos Toyota foram retirados do mercado nos EUA e o megarecall (chamada às oficinas) já envolve 8 milhões de carros, nos EUA, Europa e China. Ontem, também a África do Sul admitiu ser incluída no recall, sendo que 23% dos automóveis desse país são Toyotas. Com a campanha de recolhas a alastrar-se globalmente, a marca japonesa já prevê reduções nas vendas. O vice-presidente da Toyota, Shinichi Sasaki, disse em conferência na cidade de Nagoya, no Japão, que já houve notícias em que as vendas foram afectadas em Janeiro. Além disso, a Toyota Motor estimou ontem que a chamada à revisão dos carros em todo o mundo custará cerca de 180 mil milhões de yenes (1,4 mil milhões de euros).
Por cá, o presidente da Toyota afirma que o ano de 2009 "foi o bater no fundo" para o sector automóvel mas mostra-se confiante para o ano que corre: "Apesar de a economia estar extremamente instável, para 2010 esperamos uma tímida retoma nas vendas de viaturas novas no mercado nacional na ordem dos 3%. Para a Toyota, contamos que a subida seja acima do mercado, porque teremos todos os novos modelos disponíveis desde o início de 2010."
Um megarecall pode afectar a confiabilidade ganha pela marca fundada em 1937 por Kiichiro Toyoda fica? "Se o problema for pouco importante a marca pode beneficiar porque denota transparência em resolver o problemas. Mas no que toca à segurança as coisas complicam-se. A pessoa parte do princípio que os carros são testados e todos estes problemas estão ultrapassados. Neste caso a marca não sai beneficiada porque este problema nem sequer devia ter ocorrido", diz ao i Mário Rui Silva, publicitário. com António Mendes Nunes
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