PSD
Manuela Ferreira Leite à procura de sucessor
Publicado em 04 de Fevereiro de 2010
Aguiar-Branco ainda não decidiu se é mesmo candidato e Paulo Rangel hesita. A actual direcção está preocupada
O PSD continua a ser um retrato do país. Ou seja, está num caos. A menos de duas semanas do Conselho Nacional que decidirá quase tudo na corrida à liderança, só há um candidato certo, que é, aliás, repetente: Pedro Passos Coelho. O que preocupa - e muito - a presidente do partido, Manuela Ferreira Leite. "O PSD tem de encarar a eleição do próximo líder como se se tratasse de escolher um candidato a primeiro-ministro", diz ao i fonte da direcção. Por seu lado, nenhum dos possíveis nomes alternativos a Passos Coelho quer aparecer como candidato ungido pela líder. Bem pelo contrário.
O jogo de sombras entre José Pedro Aguiar-Branco e Paulo Rangel continua, apesar de nenhum deles falar em público sobre o assunto. Aguiar-Branco, como o i adiantou na primeira semana de Janeiro, vai avançar com uma moção de estratégia no congresso, mas ontem ainda não tinha decidido se será candidato, embora tudo se encaminhe para que assim aconteça. Não lhe falta "vontade, interesse e ambição", como disse ao i de sexta-feira fonte próxima do líder parlamentar. Mas falta-lhe ainda conversar com algumas personalidades do PSD.
Por fim, apesar de sucessivos desmentidos ao longo das últimas semanas, Paulo Rangel não é uma carta fora do baralho social-democrata e tem recebido apelos "directos ou indirectos" de várias individualidades - os chamados "barões" do partido. A possibilidade de Rangel se candidatar é aliás uma das preocupações dos apoiantes de Aguiar-Branco, alguns deles figuras também próximas do eurodeputado laranja.
Já "o professor Marcelo não deve ser candidato, mas nunca se sabe, tal é o grau de imprevisibilidade a que nos habituou", acrescenta a fonte da actual direcção do partido. Ferreira Leite, por seu lado, não quer deixar o PSD entregue à "má moeda" que, no caso, dá pela cara do adversário Passos Coelho. O grau de imprevisibilidade generaliza-se com a realização do congresso, o que pode explicar o apoio inicial de Ferreira Leite à proposta de Santana Lopes e as reticências dos apoiantes de Passos.
Só no Conselho Nacional de 12 de Fevereiro se saberá se haverá ou não lugar a um congresso - e qual o seu formato. Ou seja, como nos diz fonte da direcção, "se for para alterar os estatutos, vai adiar as directas para princípios de Abril, na melhor das hipóteses, uma vez que será necessário que se apresentem a debate os diferentes projectos e só depois serão eleitos os respectivos delegados".
Se o congresso não for estatutário e servir para discutir a situação do país, o processo electivo poderá terminar mais cedo, na primeira quinzena de Março. Mas "fica por saber qual a influência que poderá ter nas directas", que só deverão realizar-se uma ou duas semanas depois da respectiva campanha interna dos candidatos.
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