Assis desautoriza três vice-presidentes e rejeita "big brother" fiscal

Publicado em 03 de Fevereiro de 2010   
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O presidente do Grupo Parlamentar do PS, Francisco Assis, rejeitou hoje a proposta de três dos seus "vices" da direção da bancada no sentido de serem publicados na Internet os rendimentos dos contribuintes.

"A minha discordância em relação a essa proposta vai ao ponto de garantir que, enquanto eu for presidente do Grupo Parlamentar, ela não será apresentada pelo PS", declarou Francisco Assis aos jornalistas, quando comentava a ideia de projeto dos deputados socialistas Afonso Candal, Mota Andrade e Strecht Tibeiro.

Segundo a edição de hoje do Diário de Notícias, estes três deputados do PS, todos vice-presidentes da direção de Francisco Assis, pretendem que os rendimentos brutos de todos os cidadãos sejam publicados na Internet, exceção feita ao imposto pago e despesas reembolsáveis.

Nas declarações que fez aos jornalistas, Francisco Assis recusou-se no entanto a esclarecer se vai exigir a demissão dos seus três vice-presidentes, alegando que se trata de uma assunto interno do Grupo Parlamentar do PS.

"Essa proposta [dos três vice-presidentes] não é do PS - e quero deixar isso bem claro. O Grupo Parlamentar do PS não discutiu esse assunto e não tem qualquer intenção de apresentar uma iniciativa com essas características", frisou.

Assis - que segundo fonte da bancada não foi consultado sobre o teor desta proposta de âmbito fiscal - adiantou que o PS "não vai apresentar qualquer iniciativa dessa natureza".

"Quanto ao resto, são questões internas, que têm a ver com a organização do Grupo Parlamentar e que serão resolvidas no quadro da bancada", declarou Assis sobre a continuidade de Afonso Candal, Strecht Ribeiro e Mota Andrade na direção do Grupo Parlamentar do PS.

Sobre o facto de esta divergência abranger três dos seus 12 vice-presidentes, Assis respondeu apenas: "não ignoro isso".

"Hoje mesmo terei uma reunião da direção em que terei a oportunidade de debater e resolver definitivamente o assunto", referiu, embora escusando-se a esclarecer como tenciona solucionar essa divergência dentro da sua direção.

Justificando a sua oposição à proposta dos seus três "vices", o líder da bancada socialista disse entender que "não faz sentido o PS apresentar um projeto dessa natureza".

"Não me reconheço nos pressupostos dessa iniciativa. Não sou só eu. Essa é a posição do PS", advertiu Francisco Assis.

Como ressalva à atuação de Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade, o presidente do Grupo Parlamentar do PS apontou que esses deputados "deixaram claro que iam ainda apresentar a proposta à direção da bancada e só depois ela se poderia constituir em proposta formal do PS".

"Somos um partido que debate, mas organizado e em que as pessoas conhecem as regras. Por isso, não censuro os deputados que publicamente exprimem as suas posições. Mas outra coisa é transformarmos a posição de um deputado na posição do PS", afirmou.

 

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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