Política
Silva Pereira. "É uma situação política verdadeiramente séria"
por Sónia Cerdeira, Publicado em 03 de Fevereiro de 2010
Governo inflexível. Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, diz que os "avisos estão feitos a todos os partidos da oposição"
O fantasma da crise política iminente, a lei das Finanças Regionais, continua a ser um braço-de-ferro entre governo e PSD que ninguém quer perder. "É uma situação política verdadeiramente séria, os avisos estão feitos a todos os partidos da oposição", afirmou ontem à noite, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, em entrevista à RTPN.
Através do número dois, o governo deixa a mensagem: "Esperamos que o bom senso e responsabilidade possam prevalecer nessa matéria." Uma questão que, assegura Silva Pereira, o governo quer "resolver esta semana".
"O que está em causa na lei das Finanças Regionais é saber se, neste momento em que o país tem de gerir com muito critério as contas públicas, tem necessidade de tomar medidas como a dos salários da função pública; se é justo uma iniciativa da oposição para aumentar a despesa em benefício da região Autónoma da Madeira [...] introduzindo injustiça uma vez que a Madeira tem um nível de riqueza superior à nacional", explicou o ministro da Presidência.
Quanto à iniciativa do CDS-PP nesta matéria, Silva Pereira afirmou que essa proposta "não deixa de ser despesista" e garantiu que o "bom senso ainda não se traduziu nas propostas no Parlamento".
Sobre se esta questão iria estar em cima da mesa hoje na reunião do Conselho de Estado, o ministro Silva Pereira afirmou que "as grandes questões do país devem estar em cima da mesa". "Queremos manter o nível de investimento, o apoio à economia, a consolidação das contas públicas, o não descontrole do défice, controlar a despesa. Isso significa que a lei das Finanças Regionais faz parte da equação de política económica."
O presidente do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, defendeu ontem ser necessário um aumento de impostos (pág. 18 e 19) com vista à redução do défice. Mas Silva Pereira garantiu que esse aumento "não está no programa nem no horizonte" e que "prejudicaria o aumento do crescimento económico". O ministro espera que o o ritmo da economia acelere para "enfrentar o problema do défice sem ser necessário aumento de impostos". E rejeitou ainda qualquer comparação com a Grécia.
Silva Pereira assegurou haver "toda uma determinação em manter uma boa cooperação institucional com o Presidente da República", apesar de admitir que "faz parte da democracia haver uma divergência aqui e acolá". O braço-direito de José Sócrates adiou uma decisão sobre o apoio do PS à candidatura de Manuel Alegre a Belém: "Não quero que restem dúvidas. A prioridade é governar, não está na agenda tomar qualquer espécie de decisão sobre as presidenciais."
Questionado sobre se o jornalista Mário Crespo seria "um problema que teria de ter solução", como o próprio referiu numa crónica, Pedro Silva Pereira garantiu: "É uma história muito mal contada, totalmente absurda. Não vou contar a versão correcta. A história nasceu de alguém que diz que alguém lhe disse que acha que ouviu dizer alguma coisa na mesa ao lado. Isto não é assunto. Estamos a falar de mexericos e o governo não se ocupa de mexericos. Da minha parte Mário Crespo vai ficar a falar sozinho." E o ministro foi mais longe: "Não podemos chegar a uma situação em que as pessoas têm de revelar conversas telefónicas e depois conversas que têm em restaurantes. Isso era de outro tempo, do tempo da ditadura, de Salazar."
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