Um veículo que permite aumentar a mobilidade e autonomia das crianças com paralisia cerebral e um desfibrilhador implantável e recarregável ganharam hoje o Prémio Engenheiro Jaime Filipe 2009, que distingue criações na área da reabilitação social.
Parece um brinquedo, mas o veículo que hoje ganhou este prémio destina-se a ajudar crianças com paralisia cerebral a serem mais autónomas. O seu "design específico" permite a estas crianças sentarem-se e conduzirem o veículo, explicou à Lusa o investigador e diretor da empresa ANDITEC, responsável pelo projeto vencedor, Luís Azevedo.
O investigador adiantou também que neste momento existem já cinco veículos destes prontos para serem entregues a duas instituições portuguesas, duas espanholas e uma latino-americana, no âmbito das parcerias internacionais que permitiram desenvolver o projeto.
Presente na cerimónia de entrega do prémio, o presidente do Instituto da Segurança Social, Edmundo Martinho, disse que serão feitos esforços para que todas as instituições sob a alçada da Segurança Social que trabalham com crianças com paralisia cerebral venham a ter um destes veículos.
O Prémio Engenheiro Jaime Filipe 2009 distinguiu também com uma menção honrosa o projeto de um desfibrilhador implantável e recarregável, destinado a melhorar a qualidade de vida de doentes com patologias cardíacas.
"É um sistema que permite transferir energia a níveis de potência elevados sem criar lesões no corpo humano e evitar a morte súbita de um paciente na sequência de uma paragem cardíaca", disse à Lusa o responsável pelo desenvolvimento do projeto, António Abreu.
Com esta inovação, António Abreu pretende eliminar a necessidade de uma "substituição assídua" dos desfibrilhadores nos doentes com este tipo de implantes.
"Há casos de patologias em que em cerca de seis meses é necessário substituir o implante, porque a bateria se esgotou. Desta maneira, conseguimos fazer recargas consoante a gravidade da patologia do portador e permite uma melhor qualidade de vida e segurança para o paciente", afirmou.
O projeto que desenvolveu encarece os 'normais' desfibrilhadores em cerca de mil ou dois mil euros por unidade, adiantou, mas tem um prazo de validade de nove a dez anos, evitando várias substituições e, consequentemente, várias cirurgias.
O Prémio Engenheiro Jaime Filipe é entregue todos os anos desde 2001 e recebeu o nome do engenheiro que se dedicou em vida à reabilitação social e à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência.
Os vencedores são escolhidos por uma comissão constituída pelo Instituto da Segurança Social, o Instituto Nacional para a Reabilitação, a Direcção-Geral da Saúde, a Associação Portuguesa de Criatividade, a Agência para a Sociedade do Conhecimento (UMIC), o Instituto Nacional de Propriedade Industrial e a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.




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